Textos e reflexões de Rodrigo Meireles

21.6.13

Algumas preocupações

As manifestações estão crescendo e atingindo proporções inimagináveis. Cresce o número de participantes, o número de cidades com manifestações e também o número de temas ou reivindicações. Mais de um milhão de pessoas foram às ruas em manifestações ocorridas em todo o país e a cada dia novas manifestações são agendadas, o que nos faz ver que a onda de protestos continuará por um bom tempo. Em meio a isso, também é notório o crescimento da violência nas manifestações, que tem ganhado proporções assustadoras e preocupantes.
Onde isso tudo vai parar?

Enquanto as vozes das ruas pedem um novo Brasil e uma nova Política, muitos são os oportunistas que se aproveitam e criticam tudo e todos, minando as instituições já existentes. Está clara a insatisfação dos manifestantes com a política no Brasil, mas é preciso saber construir uma nova Política para não cairmos nos erros do passado. A história já nos mostrou situações análogas e os resultados foram desastrosos.

Queremos (e precisamos de) um grande amadurecimento político por parte dos brasileiros, além de maior participação com a abertura de novos canais. Mas gritar anarquicamente é, no mínimo, preocupante.

Outro ponto que preocupa é o crescente apoio a manifestações sem focos definidos e acompanhadas de violências igualmente crescentes. Dos manifestantes que praticam a violência, seja depredando ou ateando fogo, muitos são aqueles que a fazem sem qualquer propósito político, em atos de vandalismo gratuito que em nada contribuem para a mudança que queremos.

O Brasil precisa mudar e algo novo parece estar a despontar de nossas ruas, mas é preciso organizar esta mudança para não cairmos nos riscos de novos desmandos e novas violências. Se o caos predominar, as manifestações perdem sentido e os rumos da Política seguirão os trilhos da incerteza e da insegurança.

No início da semana, escrevi que senti "cheiro de algo novo no ar". Espero que este cheiro não seja o cheiro do ultra-nacionalismo, do fascismo, da repressão e do ódio anarquizado e generalizado.




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