Textos e reflexões de Rodrigo Meireles

20.6.13

As vozes das ruas

A rua está colorida e repleta de manifestações em todo o Brasil! O povo fala, grita, canta e protesta por um país mais justo e mais acessível, demonstrando uma grande insatisfação com a política vigente. Há quem questione o resultado de tantas manifestações e se isso surtirá alguma mudança no modo tradicional de se fazer política, mas uma coisa é certa: aqueles que, até pouco tempo, ficavam somente em casa a se lamentar dos descasos políticos hoje consegue se expressar e reivindicar alguma coisa. Muitos são os alvos e os motes dos protestos, mas uma só é a insatisfação (ainda que sob várias facetas).

Os partidos políticos e seus respectivos filiados, estando ou não no exercício de algum mandato, devem ouvir as vozes que ecoam nas ruas e repensar suas práticas, de modo a acolher esta demanda que estava reprimida e entalada nas gargantas de muitos cidadãos. Há quem tema a insurgência de um movimento ultra-nacionalista e fascista na medida em que os partidos são duramente reprimidos nas manifestações. Todavia, precisamos alargar o nosso olhar e perceber que grande parte de quem está nestas manifestações não aguenta mais ter de esperar por mudanças prometidas pelos partidos políticos.

O povo que está nas ruas nos dias de hoje faz suas próprias reivindicações. É o povo que diz, em diversos tons, que não dá para continuar como está e que não se contenta apenas em trocar as pessoas (ou os partidos) que estão no poder. As manifestações mostram o grito do povo, que ignora ou releva os ideais de muitos partidos, sejam estes de esquerda ou de direita. Estão para além disso. Seria temerário achar que não existem pessoas com pensamentos fascistas em meio aos movimentos. Eles estão lá e puxam as manifestações para um discurso vazio, contra tudo e contra todos. Todavia, é preciso destacar que, até há poucos dias, a imensa maioria dos jovens que estão indo às ruas nem queria se envolver com qualquer tipo de manifestação política.

Ou seja, o povo ganhou força e está conseguindo se manifestar como há muito tempo não se via no Brasil. Este é o povo que está cansado do que está vendo na nossa política e que não aceita apenas mais mudanças de partidos. O povo que está nas ruas hoje quer mudança na forma de se fazer política, e isso não é propriedade exclusiva de un(s) partido(s), por mais que existam partidos que defendam isso a tempos.

Obviamente, não podemos negar a importância histórica dos partidos políticos, nem tampouco a importância da representatividade política. Contudo, a política brasileira tem girado demasiadamente em torno dos projetos de poder dos partidos e a cada ano criam-se novos partidos para hibridizar o problema. Hoje, a discussão sobre a política deve ir além de interesses partidários e eleições para repensá-la na sua base de ação; junto com quem mais interessa, o cidadão. A verdadeira reforma política deve ir além de partidos, para, em seguida, repensá-los também.

Escutemos as vozes das ruas!
Mas, um alerta: cuidado com os ultra-nacionalistas que se colocam contra toda forma de organização coletiva! É preciso separar o joio do trigo.

No vídeo abaixo, há uma pequena mostra das manifestações que estão acontecendo:







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