Textos e reflexões de Rodrigo Meireles

18.6.13

Cheiro de algo novo no ar

O brasileiro é quem deve fazer Política no Brasil
O Brasil inteiro está gritando e mostrando suas vozes. São várias as problemáticas e vários os protestos. Um dos principais motes dos protestos realizados foi a reivindicação de um transporte público de qualidade, questionando o aumento dos preços, mas não ficou só nisso. Há quem reivindique o passe livre, há quem proteste por mais segurança, há quem questione a reforma agrária, há quem defenda os ruralistas, há quem defenda os indígenas, há quem se manifeste contra a ineficiência dos serviços públicos e há também quem lute contra a corrupção. São muitas as vozes, muitos os gritos e muitas as questões. Todas elas exalam um cheiro novo no ar. Há algo novo se revelando no Brasil a partir de uma insatisfação generalizada e polifônica que tomou conta do país nos últimos dias.

Será o gigante se acordando ou apenas uma onda passageira? Como caracterizar um movimento tão plural? Na rua, a insatisfação toma conta, mas ainda estão dispersas, com uma interessante variação de discursos, protestos e métodos. Há quem defenda os protestos com a ocupação e a depredação dos espaços públicos e há quem prefira protestar com palavras de ordem e negociações. Seja como for, esta onda de protestos é um sintoma social que reforça a percepção de que há problemas históricos ainda a serem solucionados. O fato é que a política tradicional não pode continuar como está. A política tradicional, aqui entendida minimamente como a política marcadamente partidarista e selada por interesses e participação restritos, precisa se abrir para uma nova configuração. Qual é a política que queremos? O que é necessário mudar? Como não cair nos mesmos erros?

Que as manifestações não sejam apenas onda passageira
É possível perceber que as manifestações são parte de uma maturação lenta do cidadão brasileiro, que aos poucos se acorda, mas que ainda precisa assegurar que os líderes dos diversos movimentos criados não caiam no sistema já instalado, que saibam resistir às cooptações e que não deixem o desejo do poder subir à cabeça a ponto de minar qualquer mudança significativa. É um momento novo, delicado e que precisa ser bem aproveitado para que possamos vislumbrar um novo horizonte para o nosso país.

Há cheiro de algo novo no ar... 
                                              ...que este cheiro não se dissipe.





4 comentários:

  1. Gostei de sua reflexão. Para mim notícia, que ainda não tive tempo de "assimilar". Com um abraço, João Manoel

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  2. Obrigado, João Manoel!
    Vamos às ruas! O Brasil inteiro precisa aproveitar este momento para proporcionar novos rumos para a nossa política.

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  3. Rodrigo Hésed, uma coisa que está chamando minha atenção é a despolitização partidária, a aversão a partidos políticos que a população especialmente os mais jovens estão adotando. Colocam todos no mesmo saco e acham que essa é uma atitude de vanguarda, seres individualistas e apartidários. Esse é um outro desafio que temos, legitimar os partidos políticos. Por exemplo: o rechaço às bandeiras de partidos do campo de esquerda que participam das manifestações e dos movimentos sociais desde o seu nascedouro e o levam pra frente, é lamentável, pois dá margem a captação do movimento por outros atores que estão alheios aos interesses da maioria, meros oportunistas de plantão.

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  4. Pois é Carlos Idelfo, mas estou gostando de ver justamente este fenômeno de democracia para além de partidos. Todo cuidado é pouco para os oportunistas de plantão, porém, ver cidadãos comuns na rua não tem preço! É justamente este fenômeno que temos que observar e refletir. O que será que isso quer dizer? O que está por se revelar? Algo novo paira no ar... mas será apenas nuvem passageira ou veio para ficar? E qual é a novidade que parece emergir de tudo isso?

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