Textos e reflexões de Rodrigo Meireles

15.6.13

Começou a Copa das Contradições

Novos estádios para a Copa das ConfederaçõesComeçou a Copa das Confederações, evento-teste para a Copa do Mundo de 2014 e que reúne 8 seleções de vários continentes. Durante este evento, serão utilizados estádios praticamente novos, com mais conforto e mais bem equipados em tecnologia, segurança e estrutura. Há quem fale de acessibilidade ampliada, mas neste ponto precisamos considerar que este tema demanda um outro olhar também ampliado. Do ponto de vista da engenharia, os novos estádios oferecem mais facilidade de escoamento do público ao final das partidas, além de oferecer portas largas e rampas de acesso para pessoas com deficiência e de melhorar o conforto do público espectador. Todavia, nem todos terão acesso a estes gigantes brasileiros e tampouco estes gigantes facilitarão outros acessos a quem precisa de acesso na vida quotidiana.

É preciso separar algumas coisas. A Copa traz para o Brasil investimentos que provocam alguns efeitos na infraestrutura das cidades-sede, tais como melhorias na malha viária de alguns pontos das cidades, reforma e melhoria dos estádios, ampliação da rede hoteleira e a necessidade de melhorar portos e aeroportos para receber a demanda de turistas. Certamente, tais mudanças mexem com a economia local e traz benefícios para o país, mas podemos nos perguntar: a que preço?

Para  aqueles que poderão usufruir dos estádios e das melhorias na infraestrutura das cidades-sede e aqueles diretamente envolvidos no ganho econômico decorrente do evento, a vida poderá ter melhorias. Mas para aqueles que dependem dos serviços públicos, sucateados e colocados abaixo da linha de prioridades pelos governos municipal, estadual e federal, a Copa ainda é sinônimo de sofrimento.

Os holofotes da imprensa e dos governos estão concentrados sobre os jogadores milionários e sobre as novas estruturas construídas, mas o preço que se paga para este espetáculo não é pequeno. Famílias inteiras foram despejadas de suas casas e os investimentos em educação e saúde ainda estão muito aquém, proporcionalmente, do que foi gasto em prol da Copa. Não foram poucas as promessas de que o recurso utilizado seria majoritariamente privado. Contudo, as promessas viraram do avesso e o Estado empenhou recursos próprios até na construção de estádios que serão privados.

Infelizmente, nem todos têm acesso às melhorias da Copa
O resultado disso tudo é: as estruturas melhoram para quem já tem estrutura. Quem não tem, deve sempre olhar por cima do muro e criar alternativas para sobreviver ao descaso. O paradigma do progresso no Brasil ainda é o mesmo que mantém a desigualdade, os contrastes e as contradições de um poder que se diz público, mas que beneficia a poucos. Tal paradigma só vai mudar no dia que o direito à educação e à saúde pública, bem garantidos pela Constituição Federal de 1988, forem prioridades tão relevantes quanto está sendo a Copa.

Então, sediar a Copa no Brasil seria um erro? Está claro que o evento em si, sobretudo sendo realizado no país do futebol, não é ruim. Todavia as melhorias por ele proporcionadas deveriam repercutir positivamente na vida de todos, o que está longe de ser realidade.





2 comentários:

  1. Uma reflexão muito oportuna sobre o evento. PARABÉNS!

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  2. Obrigado! É preciso pensar com cuidado sobre o que acontece ao nosso redor. Estejamos atentos!

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