Textos e reflexões de Rodrigo Meireles

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18.12.12

20.4.12

Sonho

Abro os olhos
levanto a vista
e sonho...


...expondo a vitrine
de eu mesmo
em sonho...


...de imagens superpostas
e segredos desvendados
no sonho...


...infindável.
Fecho os olhos

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5.4.12

A Cruz

É manifesta, perceptível e clara,
em tantos impulsos, sinais e evidências,
a dimensão outra da face humana
envolta na sutileza do amor


No caos que a todo instante se declara
um brilho contrasta os focos de violência
De onde mais essa luz emana
senão da Cruz, em plena dor?


Tão cara quanto uma pedra rara
despeja sentido no calor das experiências
expõe seu abraço e não engana
quanto à profundidade do Amor


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29.12.11

No exílio da canção (do sabiá)

Minha terra é assim:
cheia de palmeiras
onde canta o sabiá
(ou deveria cantar)

Ora digo isso
quando de longe olho
o que mesmo de perto
é dificil perceber:

Onde se esconde o sabiá?
Em meio às arestas da civilização
pouco se pode enxergar

Para onde foi o sabiá?
Nada sei, até o que sei
não ouço o seu cantar

Onde canta o sabiá
da minha terra
pelo que eu encontro cá?

Na minha terra tem palmeiras
e sei que ali canta o sabiá
mas não sei onde o encontrar

Sabe-se pouco desta terra!
Nem o velho sábio sabe
porque o sabiá não quer cantar
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13.12.10

Adagio



O branco no preto

................da vida que dança

............................nas folhas que flutuam

.............................................no vento que empurra

............................................................os pássaros no tempo

.............................................................................................no tempo

................................................................................................................tempo

......................................................................................................................................

É hora de viajar e transpirar poesia ouvindo a suave interpretação de Prelude in B Minor de Serge Rachmaninov (Op. 32, nr. 10), executada pelo pianista italiano Alessio Nanni. Sugiro que se assista em tela cheia (fullscreen).


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22.11.10

Entre mares

O sorriso da companhia
o caloroso beijo de com-quem-saía
e o mar, do além, o mar... Oh mar!
Abraçar será
fazer-te chorar
e querer-te amar
na alegria de ser
no mar do amor
e será...

...será poesia
dizer que não podia
entregar-se no sonho que via?
E o meu, ali, o meu...
mar que é teu
marca teu
nome no meu
e serás!
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8.11.10

A coisa da coisa

Não é coisa alguma
que pode fazer a coisa coisar
Pode a coisa coisar como quiser
no tempo que lhe convier
Coisar sem rebeldias
e sem intimidações alheias

Mesmo se a coisa
não coisa por ela mesma
a coisa coisa o que foi coisado
coisando
o que parecia não querer
ou poder coisar

Até que
por uma coisa que viu
finalmente
a coisa coisa por querer
e descobre-se como coisa
enquanto coisa

Assim sendo
sem pressa
nem pressões
a coisa desvenda
a coisa da coisa
e coisa feliz
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24.9.10

Naquela Rosa

Foi quando vi
aquela flor
que percebi
aonde estou

Não obstante
naquele instante
nada sou

Um pensamento
num relance mágico
frágil momento
na flor da rosa

Pura beleza
com sua destreza
me faz ser assim

Como toda rosa encantadora,
 a rosa espinhosa da flor
de espinhosa se faz rosa
de rosa se faz flor

Se naquela rosa rosa me encontrei,
não sou nada
e de nada
tudo sou


Poema-canção inspirado no conto intitulado "A Rosa", que escrevi há alguns anos, e num pensamento de Chiara Lubich.
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20.8.10

Suavemente

A folha
amarela
caiu
na minha cabeça


Pousou
amarela
a folha
em cima de mim


Soprou
amarelo
o vento
levando a folha


Planou
amarela
a folha
que caiu do outono


Encontrou
amarela
suas irmãs amarelas
no chão que aterrisou


Rasgou-se
amarela
após um tempo
e foi-se de vez



Poema selecionado para a coletânea do IX Prêmio Ideal Clube de Literatura (2006).
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