Textos e reflexões de Rodrigo Meireles

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25.7.13

O poder da mudança

Recentemente, uma pessoa perguntou-me o que eu faria se tivesse todo o poder do mundo. Sem muitas delongas e com sinceridade, eu posso responder que eu gostaria de acabar com todo o mal, parar todas as guerras e também parar todas as violências cometidas pelos humanos. Se eu tivesse este específico poder, eu gostaria de fazer com que todas as pessoas fossem capazes de viver o verdadeiro Amor.

Sim, se eu tivesse este poder, eu gostaria de acabar com todo o mal e parar todos os sofrimentos. Eu não gostaria mais de ver crianças chorando porque não têm o que comer e também não gostaria de ver pessoas miseráveis nas ruas das estradas mundo afora vítimas de interesses restritos e materiais. Ao invés disso, eu gostaria de ver mais dignidade para todas as pessoas do mundo.

Mas, como eu faria isso? Como sabemos, o mundo é enorme e as pessoas são bastante diferentes umas das outras. Vivem diversas culturas, dentre as quais, culturas que as fazem pensar diferente de mim em muitos aspectos e que têm, cada uma, belezas e riquezas próprias. Existem diferentes crenças no mundo e diversos interesses que movem as ações das pessoas. Como eu poderia dizer o que é melhor para cada um em particular? As pessoas são livres para escolher como viver e mesmo um tal extraordinário poder não mudaria isto por muito tempo. Um poder assim apenas subordinaria as pessoas a mim, tolhendo a liberdade e forçando uma unidade que não respeita as diferenças. Um poder deste tipo não me serve e não me representa.

Contudo, apesar das diferenças, eu penso que também existem diversos princípios comuns e essenciais entre os vários povos e culturas, como o princípio da vida, que inspira o princípio da dignidade da vida humana. Segundo Kant, cada pessoa é um fim em si mesma, não um meio, e tem potencialidades que precisam ser valorizadas. Portanto, através deste princípio, cada pessoa pode ser mais tolerante e mais respeitosa, dado que para viver e preservar a própria vida, deve também saber viver com quem está ao lado. A vida não é de um ou de outro, não pertence a alguém específico. A vida é de todos para ser vivida com todos, o que exige abertura, respeito e tolerância. Nenhuma pessoa que valoriza a própria vida quer morrer e, por isso mesmo, não pode ter o direito de matar ou fazer sofrer a outrem. Então, podemos dizer que é possível viver com outras pessoas, mesmo se tais pessoas sejam tão diferentes.

Diante disto, uma pergunta: existiria algo que todas as culturas poderiam viver para que uma mudança acontecesse a ponto de amenizar os conflitos e os sofrimentos? Sim, existe! O Amor ao próximo! Viver com o outro significa saber doar-se, ou seja, amar. Todas as culturas podem viver isto. Ainda que o mal exista e que o homem possa escolher entre fazer o bem ou o mal, o Amor é a chave para a fraternidade universal.

Desta forma, eu posso dizer que tenho algum poder. Primeiramente, porque posso mudar a mim mesmo para ser o primeiro a amar e, fazendo isso, eu posso gerar a mudança nas pessoas próximas a mim e transformar o mundo, como uma onda do mar. Para isto, eu preciso ser a mudança que eu quero para o mundo. Portanto, eu posso viver este poder em cada ação, em cada olhar e em cada escuta que faço no meu dia-a-dia. Não é fácil, eu sei, e muitas vezes posso errar. Todavia, posso praticar este Amor todos os dias e viver a minha vida de forma livre e leve. O segredo é viver o Amor. Isto é, começar a mudança a partir de mim, sendo capaz de doar-me para cada pessoa ao meu redor. Ou, simplesmente, ser o Amor. Este é o meu poder de mudança.

A ação de cada um de nós e um poder tão singular podem parecer insignificantes diante de um mundo tão vasto e complexo, mas, se cada um usa o seu poder de amar, este mundo poderia ser um lugar diferente e bem melhor para viver.




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28.10.12

A Política

O futuro é hoje, vivo e atualizo isso no meu dia-a-dia. Não obstante as tantas dificuldades, as disputas, os confrontos (tantas vezes feito de maneira forçada e apelativa, até violenta), vejo-me muitas vezes sem forças para ir adiante e me sinto pequeno diante de todas essas coisas. O mundo é muito maior do que eu. Contudo, a cada pessoa que me procura, a cada energia que dispendo na escuta ativa de algum sofrimento, a cada olhar perdido que encontro, descubro que mesmo pequeno não existo à toa e não sou em vão. Posso amar e me encontrar naquele outro. Posso crescer e ampliar o meu olhar em um tu que, por alguns minutos, também sou eu, imerso neste mundo e na existência. Esta é a minha experiência diária, que procuro renovar a cada novo raiar do sol. Esta é a minha Política.

Contudo, esta Politica se estende para além de mim. Forma grupos, instituições, organizações em prol de algo comum. Eis que temos também os partidos, eis que temos ainda os interesses e as conveniências, alimentadas pelas ideologias. Eis que temos a democracia, mesmo em suas contradições ou incompletudes. Eis que temos o futuro, no presente cheio de conflitos e em crise e que suscita novos movimentos, novos olhares e novas formas de ação. Se apenas fazemos leitura de momentos, corremos o risco de cairmos constantemente na espiral hegeliana, em que tudo flui e se atualiza historicamente, não importa como e para onde. Não, não vejo que a Política seja uma coisa de momento, acredito ser este um erro hermenêutico. Penso na Política inserida na cultura, de forma anterior a ela, mas que ocorre mesmo "distorcida" pelos fatos. Não é mera criação dos homens para uma vida social, mas fundamental e necessária para sua sobrevivência, no seu ethos.





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24.10.12

Piccolo

Piccolo. Forse non trovo altro modo di descrivermi dinnanzi alle situazioni che trovo nel mio quotidiano. Sia nel lavoro sia camminando sulle strade della città, mi sembra di vedere la distruzione della vita e dei rapporti personali a nome di interessi particolari o di un supposto potere. È certo che non posso generalizzare, ma è sintomatico vedere nella gente le parole già previste da Nietzsche e approfondite da Heidegger sul nostro tempo e il suo vuoto, il buio culturale.

La violenza è diventata banale. Non importa se uno muore e come muore. La politica mantiene gli stessi vizi lungo gli anni. Anche se cambiano le persone, continua la stessa, con qualche rara novità. Il mercato continua a dettare le regole del gioco con la sua supposta mano invisibile ed ancora influisce sui comportamenti delle persone. La gente continua a preoccuparsi con le proprie vanità e a perdere la fiducia nell'altro, che tante volte rappresenta una minaccia ai propri interessi. Persino la gente che va nelle chiese sembra cantare lodi vuote, come se sperasse che qualcosa accada magicamente dai cieli.

Può darsi che per qualche regola ci sia un'eccezione, ma sono ancora poche dinnanzi a questo complesso sistema di avvenimenti. Per cambiare questo ci vuole il coraggio per illuminare il nostro tempo con l'Amore vero, incondizionato e fraterno. Non possiamo permettere che il senso delle cose si svanisca davanti ai nostri occhi e rimaniamo attoniti, senza parole o azioni concrete, ad aspettare la fine.

Sono piccolo e a volte mi sento da solo in quest'impresa, ma posso realizzare il poco che mi definisce e collaborare con la piccola porzione di umanità che mi è stata affidata e con la quale mi trovo, anche se casualmente, giorno dopo giorno. Spero di scoprire in ogni persona un altro Volto, che mi permetta di descrivere la speranza e le tracce di un altro modo di vivere (non limitato a pochi, ma comune a molti), di un mondo libero, fraterno e dove regni la pace.

Rimango piccolo, ma, come un seme, posso germinare e rendere frutti incalcolabili nel poco che sono, se mi lascio guidare dall'Amore vero. È difficile, ma in quest'utopia trovo un cammino.



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4.9.12

Fé e Vida

É bem verdade que ter fé é crer. É ter "a convicção de fatos que se não vêem" (Hb, 11:1). É escutar e acreditar em fatos que virão. Porém, o ato de ter fé não pode ser confundido com espera sem vida. Requer ação, dedicação e transformação. Quem apenas espera, mantém-se alheio ao contínuo  processo criativo, próprio de sua natureza. Ter fé não é esperar, é acreditar em algo maior e viver conforme o que acredita, buscando-o incessantemente.

Nas Sagradas Escrituras encontramos uma belíssima carta de testemunhos sobre a fé no livro dos Hebreus, todos demonstrando como seguiram o que acreditaram. Abraão, Abel, Enoque, Noé e Sara, dentre outros testemunhos, tiveram fé. Nenhum deles, porém, apenas acreditou e esperou. Fizeram sacrifícios, percorreram caminhos desconhecidos e acreditaram em fatos logicamente impossíveis porque acreditaram e se lançaram na fé.

Também no Evangelho de Marcos encontramos um testemunho de fé quando uma mulher tocou as vestes de Jesus porque acreditara que aquele gesto a curaria. Sentindo que algo acontecera, Jesus encontrou-a em meio à multidão e disse: "Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal" (Mc 5: 34). Também neste episódio não houve espera. A mulher acreditou e foi ao encontro de Jesus.

A fé é também sinônimo de confiança em algo maior e invisível, que nos liberta e nos permite viver para além do que vemos, tocamos e sabemos. A fé nos salva porque nos permite acreditar que há algo maior pelo qual viver e pelo qual dar a própria vida. Com a fé, é possível ir além de si para amar, transcendendo-se. Desta forma, se alguém que acredita em Jesus apenas espera milagres, nada entendeu sobre a própria fé. Para estes, ter fé é muito fácil e cômodo, pois apenas acreditam, mas não saem da própria zona de conforto e não se lançam no que acreditam, isto é, não amam. A fé nos convida a amar. Se alguém acredita em Jesus e quer que Ele se manifeste, precisa ir ao encontro dele através do amor. Afinal, disse Jesus, "(...) aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele" (Jo 14:21).

Assim, ter fé não é apenas acreditar, pois requer ação, requer amor. Amar é "ir ao encontro de", doar-se, transcender-se. Não se faz isso apenas com palavras, louvores ou com a mera devoção, mas com atos concretos. Ter fé, portanto, requer viver com o horizonte aberto e lançar-se, mesmo na escuridão, naquilo em que se acredita. Fé e vida, confiança e amor, emunah e ahavaη πίστη e αγάπη, são conceitos inseparáveis e não podem ser plenamente compreendidos e vividos distintamente.


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18.8.12

O perigo da medicalização

Recentemente, a psiquiatra Analice Gigliotti publicou um texto na Folha de São Paulo intitulado "A Última Lição de Chico Anysio" no qual destaca a preocupação de Chico Anysio em relação ao preconceito contra as pessoas com transtornos mentais e a sua recomendação para que os medicamentos psicotrópicos sejam disponibilizados à população mais pobre do Brasil. A autora reforça o pensamento do ator denunciando o que seria a falta de socorro aos doentes mentais do Brasil, que não teriam fácil acesso a medicamentos deste tipo. Discordo veemente!

O melhor socorro aos doentes mentais no Brasil não é o aumento da oferta de medicamentos, haja vista que o consumo de medicamentos psiquiátricos já é alto no Brasil e pouco resolve. O melhor socorro é o ampliamento das redes de apoio social, com atendimentos diversificados, personalizados e de qualidade. Concordo com Chico quanto ao preconceito psicofóbico ainda existente, mas discordo da afirmação de que o medicamento é a única solução para a depressão e outros transtornos mentais. É preciso destacar que medicamentos psiquiátricos não curam nada, apenas amenizam sintomas. É por isso que precisam ser administrados com doses controladas e muitas vezes por toda a vida. Se curassem, haveria um fim. É fato que tais medicamentos ajudam e são importantíssimos em muitos casos, mas sozinhos não resolvem nada, pois estão a melhorar os incômodos que certos sintomas causam, tais como tremedeiras, palpitações excessivas, alucinações, insônia, falta de apetite, dentre outros. Esse é o erro da psiquiatria moderna: acreditar que podem tratar das doenças mentais como se trata uma dor de cabeça, na lógica do "tomou doril a dor sumiu!". No meu entender e na minha experiência, defendo que, para além da doença, é preciso ir ao encontro da pessoa; somente ela é capaz de mudanças significativas.

Para melhor refletir sobre o tema, convido vocês a assistir o vídeo "Medicalização e Sociedade" que trata do tema com simplicidade e maestria. Indico ainda o site medicalizacao.com.br para mais informações.



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9.7.12

A ansiedade e seus possíveis incômodos

Por princípio, a ansiedade é normal, pois é um conjunto de reações orgânicas que preparam o corpo a algo, real ou imaginário. É como se o corpo canalizasse energia para a realização de algo que se espera ou mesmo para se proteger de algo que amedronta. Assim, todas as pessoas já viveram algum momento de ansiedade, seja quando algo muito aguardado está para acontecer, seja com um risco iminente. Alguns sinais bastante comuns  nesses momentos são: inquietação, preocupações constantes, medo, palpitações e tremores. Um ator que prepara uma peça teatral também sente alguma ansiedade, por mais espontâneo que ele seja. É por isso que precisa se preparar bem e ensaiar bastante antes de cada cena, pois quando se sente mais seguro consegue vencer com facilidade os riscos de possíveis erros. O mesmo acontece com uma pessoa que vai para uma entrevista de emprego ou ainda com alguém que se prepara para o nascimento do primeiro filho e mesmo com alguém que caminha na rua sentindo-se inseguro. Estão para acontecer eventos bastante significativos na vida dessas pessoas, o que pode gerar muita expectativa e ansiedade. Todavia, enquanto esta ansiedade permitir uma mobilização e uma preparação da pessoa para tais eventos, podemos considerá-la como positiva. O problema surge quando esta ansiedade é excessiva e atrapalha as suas atividades normais.

Quando a ansiedade se torna um problema mais sério e preocupante? Quando a sua intensidade, frequência e duração aumentarem e passarem a gerar sofrimento psíquico e até alguns sintomas. Ou seja, quando a ansiedade atinge um patamar que extrapola os limites de tolerância da pessoa e atrapalha o seu dia-a-dia. Com isso, a pessoa poderá desenvolver alguns hábitos que a incomodam no seu cotidiano, como preocupações excessivas e antecipatórias, hábitos de roer as unhas, arrancar os cabelos, irritações constantes e corriqueiras, além de sintomas psicossomáticos, como gastrite, acne e enxaqueca. Nestes casos, considera-se que a pessoa tem um transtorno de ansiedade, que deve ser bem avaliado por especialistas e devidamente acompanhado. Recomenda-se o acompanhamento através de psicoterapia e, a depender da intensidade e dos sintomas, de medicamentos.

Como viver com a ansiedade? O segredo de uma ansiedade positiva é saber viver bem cada momento, colhendo os frutos de cada minuto vivido. É saber dominar a própria dinâmica de vida, sem ser dominado pelas suas circunstâncias. Além disso, é sempre recomendado saber organizar bem o próprio tempo, deixando espaços para o descanso, atividades físicas e momentos de lazer.

A edição de hoje do programa Diário Divino, exibido na TV Diário, trouxe a ansiedade como tema e contou com a minha participação. Para quem não pôde assistir ao programa, divulgo aqui no blog o vídeo da edição e recomendo que se assista a este vídeo para complementar a discussão sobre a ansiedade e conhecer alguns casos comuns.



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31.3.12

A Política e a Morte

Que o Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) está "morto politicamente" poucos duvidam, mas o fato é que a política, tal como está, assiste a morte dos valores primordiais da democracia e da ética humana. Fere-se, a todo instante, a dignidade humana, o respeito à igualdade de direitos, a liberdade, a coerência e a verdade em nome de interesses privados e de uma incessante busca pelo poder. Com isso, a política não se revela como espaço de todos os cidadãos unidos em torno de um bem comum, é apenas um espaço de embates territoriais repleto de "toma lá, dá cá" no qual vence quem se associa ou se articula melhor.

Já não valem discursos pomposos que defenda a ética e o combate à corrupção, que o diga o Senador mencionado. Um homem de palavras tão diretas e cujo discurso se pautava pela afirmação da honestidade e do combate à corrupção agora se defende argumentando que as investigações feitas contra ele foram ilegais. Para além da legalidade ou não, há que se considerar que de um senador da envergadura de Demóstenes, líder da oposição no Senado, não se pode esperar negociações ilícitas de qualquer ordem, pelo bem da democracia e dos cidadãos, que legitimam a sua função. Se é verdade o que as acusações apontam, qualquer investigação é válida e não pode ser diminuída em virtude do cargo que se ocupe, uma vez que envolve favorecimentos a interesses limitados, apoio a práticas ilegais e enormes somas de dinheiro.

Não duvido que outros políticos estejam envolvidos neste escândalo, como não se duvida que muitos políticos estejam enrolados em práticas corruptas. Não é de hoje, dado que este mal nos persegue há séculos nos mais diversos recantos da humanidade. Contudo, é na política (ou através dela) que esta mesma humanidade pode sobreviver enquanto espécie, pois é pensando-se, coletivamente, que se descobre enquanto povos capazes de convivência. Matando a política, matamos os cidadãos, e a humanidade perde seu rumo. Portanto, matando os valores já amadurecidos e desenvolvidos por esta mesma humanidade, lentamente matamos a política e, assim, contribuímos para a morte de todos nós.

Exemplos como o citado acima são constantemente repetidos a cada dia, para além do quem, do onde e do como. São estes "exemplos" que afetam a esperança por mundo melhor de milhares de pessoas que apenas querem viver felizes e em paz. São "exemplos" que não queremos ver repetidos em nossa história, para que esta nos orgulhe e nos permita morrer tranquilamente. É hora de acordar e mudar esta política!


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28.12.11

É tempo de despertar!

O Natal aconteceu, os dias prosseguem e a vida continua, mesmo com seus altos e baixos. Há quem veja nisso uma combinação sem graça, sem sentido, e que nada mais vale a pena além de assumir uma dinâmica diária de quase total inércia. Para estes, a vida segue em seus ciclos, os seres apenas se adaptam às circunstâncias e tudo continua, não importa como e para quê. Todavia, para além do bem e do mal, o homem que assume um sentido para a sua vida é capaz de transformá-la. Quando falta sentido, nada mais lhe resta que viver como um vegetal à espera da morte, alienado de tudo e de todos. Com a sua capacidade de transformar, o homem participa da Criação e da evolução do universo muito mais do que por pura inércia, mas como agente capaz de impulsionar a vida com seus atos. É preciso, portanto, que este homem se descubra e conheça os seus potenciais, tantas vezes abafados pelo niilismo que assola a humanidade.

É tempo de despertar! Afinal, podemos transformar e perceber que a vida é muito mais que simples afazeres cotidianos e rotineiros sem sentido; é muito mais que inércia. O Natal nos permite essa reflexão por nos recordar o nascimento d'Aquele que se fez homem para transformar o mundo e nos fazer acreditar no Amor como fonte de vida e evolução. Afinal, o homem pode transformar porque é capaz de amar, tal qual Deus na Criação. É o Amor que transforma, mas esse Amor, em meio às fugacidades modernas, muitas vezes é calado, temido e, em muitos, permanece adormecido.

Hoje, o que mais desejo é que possamos nos acordar do profundo vazio de sentido que o mundo atravessa e que possamos transformar nossas vidas, tantas vezes carregada de pessimismo e com tons demasiado negativos, em abundantes fontes de Amor. Que o Natal aconteça em nós todos os dias para sentirmos a beleza do Amor de Deus e a beleza de amar!


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3.11.11

Steve Jobs e o SUS

Tomei a liberdade de reproduzir, logo mais abaixo,  um texto que considero de relevante importância para refletirmos a repercussão que teve o caso da doença de Lula na internet. Vale a reflexão, apesar dos discursos em contrário. Afinal, o maniqueísmo que foi iniciado na grande rede desrespeita aqueles que precisam do SUS, até mesmo aquele cidadão que precisa se tratar de problemas ou doenças que têm suas melhores referências em especialistas e hospitais que integram o SUS.

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ALEXANDRE HOHAGEN
Steve Jobs e o SUS



Se Steve Jobs tivesse sido acometido por esclerose múltipla no Brasil, teria considerado o SUS



A essa altura você certamente já sabe quem é Steve Jobs. E que ele morreu no começo de outubro. Também sabe que ele foi um visionário obsessivo. Ele tinha mais de cem camisetas pretas, de gola alta, todas iguaizinhas. E também sabe que ele foi adotado. Nunca quis reencontrar o pai biológico. Deixou um legado de qualidade, design, simplicidade que mudou o conceito de inovação e tecnologia da nossa era.

Da mesma forma, imagino que o câncer encontrado no ex-presidente Lula nesta semana não seja mais novidade. Ele provavelmente foi causado pelo cigarro. 

Ele está sendo tratado pelos melhores médicos do país. O hospital onde começou as sessões de quimioterapia é referência e não faz parte da rede pública. Afortunadamente, o presidente está bem e desejo que ele se recupere rapidamente. Provavelmente os leitores mais conectados também sabem que há uma corrente nas redes sociais desafiando que o nosso ex-presidente seja tratado em uma unidade do SUS (Sistema Único de Saúde).

A corrente se espalhou com velocidade. Os posts em defesa ao atual tratamento e votos de recuperação ao presidente também começam a se multiplicar, em uma espécie de maniqueísmo social.

Os três temas acima foram propagados nos últimos meses pelas redes sociais. Nunca na história do Twitter, por exemplo, um assunto tinha sido tão comentado como a morte de Steve Jobs. Foram 8 milhões de notas postadas e lidas por centenas de milhares de pessoas em 36 horas. Da mesma forma, a história bizarra das pessoas mandando o Lula para o SUS, em uma demonstração de desrespeito com um ser humano doente, está em toda a parte no Facebook.

De acordo ou não, as redes sociais são assim mesmo. Cada dia mais parecidas com o dia a dia. Igualzinho a um papo na mesa de bar. As pessoas iniciam uma conversa. Se ela for de interesse, se amplia. Outros opinam. E o boca a boca escala velozmente. Até minha filha de sete anos reconhece o Steve Jobs em foto pela tradicional e minimalista indumentária. Como pai, executivo, cidadão eu tenho pensado muito em como garantir uma curadoria saudável de todo o conteúdo que aparece na nossa frente todos os dias.

Para ter uma ideia, o sistema de segurança do Facebook processa e revisa 25 bilhões de ações de conteúdo todos os dias. O que interessa ler e compartilhar?

Quando li o post que pedia para que Lula se tratasse no SUS, fiquei confuso. Me recusei a compartilhar. Eu realmente não acredito que um brasileiro deseje o mal a Lula. Ele dedicou a sua vida ao país. Humor sem graça virou moda ultimamente. Mas ainda pior foi o fato de que o SUS virou sinônimo de castigo. Tem um inimigo? Deseje que ele se trate no SUS. Não gosta da sogra, manda para o SUS.

Ontem eu me deparei com um desses posts que vale a pena ler e compartilhar. É o relato da paranaense Nina Crintzs. Com o título "Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto", Crintzs descreve a sua experiência sendo tratada no SUS de uma doença raríssima: esclerose múltipla.

O texto é emocionante e mostra uma perspectiva bastante diferente dos ataques de pessoas que seguramente jamais passaram perto de um posto de saúde.

Segundo Crintzs, "o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente os remédios para o tratamento da esclerose múltipla". Ela complementa: o maior especialista em esclerose múltipla do Brasil atende no Hospital das Clínicas, que é do SUS, em um ambulatório especial para a doença.

Ou seja, caro leitor: se o Steve Jobs, que, como sabemos, era um obsessivo por qualidade, tivesse sido acometido por essa doença no Brasil, provavelmente teria considerado o SUS.

E seguramente essa história teria muito mais relevância do que as brincadeiras sem graça que muitas vezes pipocam por aí. Crintzs tem propriedade para falar e eu para compartilhar: "Fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto". 


ALEXANDRE HOHAGEN, 43, jornalista e publicitário, é responsável pelas operações do Facebook na América Latina. Em 2005, fundou a operação do Google no Brasil e liderou a empresa por quase seis anos. Escreve às quintas-feiras, a cada quatro semanas, nesta coluna. 

www.facebook.com/colunadohohagen


Fonte: Folha de São Paulo


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24.9.11

A liberdade entre dores e cores

Viver é experimentar o que a vida nos traz e tudo aquilo que é inevitável. Viver é, portanto, relacionar-se e é em meio às suas relações consigo mesma, com os outros e com o mundo que a pessoa se descobre. Nessas relações com o mundo, a pessoa encontra desdobramentos permeados de descobertas e também de sofrimento. Contudo, mesmo em meio a esses desdobramentos, como percebemos na experiência clínica, é possível encontrar sentido na vida. Segundo Viktor Frankl, "o sentido da vida é um sentido incondicional, por incluir até o sentido potencial do sofrimento inevitável". Encontra-se sentido para a vida quando se opta pela experiência de viver.

Essa experiência mostra que a cada instante a pessoa é levada a confrontar o mundo, com suas dores e cores. Dores e cores que revelam uma dialética dantesca de descoberta de si mesmo no mundo. É interessante constatar que, na sua Comédia, o memorável poeta italiano Dante Alighieri constrói um excursus perfeitamente associável à experiência do homem pós-moderno, mesmo até daquele que busca a psicoterapia para um autoconhecimento. O caminho do inferno ao paraíso, em Dante, é também o caminho que as almas não pusilânimes ousam traçar se querem descobrir um sentido maior para as suas vidas. Os pusilânimes são aqueles que não fazem escolhas morais, nem para o bem, nem para o mal. Estes nada mais desejam e não são capazes sequer de entrar no inferno e traçar o próprio caminho, o próprio itinerário. Estão parados na própria dor vazia, não querem sentir mais nada e simplesmente deixam que a vida os leve no seu tempo infindável e sem cor. Para estes, estar vivo ou morto não faz diferença, mas, para quem sente o mundo, viver é atravessar as linhas da existência, com tudo o que se encontra no caminho. Cabe aqui um pressuposto: a escolha e a coragem de viver. Encarar as dores não é buscá-las por um mero prazer pessoal, mas é ressignificá-las para atribuir a elas um novo colorido. Eis que o itinerarium de Dante revela uma pessoa capaz ter a coragem necessária para tomar consciência de si mesma, atravessar as próprias dores e atingir o paraíso, lugar da liberdade e do amor. Desde o inferno, Dante procurava a liberdade - "Libertà va cercando" (Purg I, 71) - e chega ao paraíso não sem antes provar do fogo, da dor, do sofrimento. Mesmo Beatriz, seu grande amor espiritual e seu daimon, ao longo do Cântico do Paraíso e após o muro de fogo do Purgatório, o faz provar novas experiências para que este atinja a liberdade plena, no amor.

A liberdade, segundo Rollo May, "é a capacidade de o homem contribuir para a sua própria evolução", pressupõe autoconsciência e se revela na capacidade de fazer escolhas. Não se trata de uma liberdade na perspectiva de um indivíduo isolado, segundo a qual o homem se liberta de tudo e de todos, mas da liberdade com responsabilidade, que se reconhece enquanto relação.

Portanto, ser livre é ter consciência de si mesmo no mundo, com todos os elos que a existência comporta. Todavia, para que esta consciência evolua e se atualize, é preciso que a pessoa se deixe afetar pelos fenômenos que a toca no mundo, como carne, para viver e sentir a necessidade de fazer as próprias escolhas. É assim que a pessoa pode atualizar-se e é com esse intuito que a psicologia pode contribuir para a abertura de novas experiências no horizonte de cada pessoa.


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4.7.11

Sobre a juventude de hoje

Após ler o texto Nossa Nova Geração (clique no link para ler), de Stephen Kanitz, publicado na edição 1717 da Revista Veja em 12 de Setembro de 2001, devo tecer alguns comentários.

Kanitz, ironizando a costumeira frase "não se fazem mais jovens como antigamente", comparou os jovens da atual geração com os jovens brasileiros do passado, que viveram a luta contra a ditadura e que se identificavam politicamente, uns com a esquerda, outros com a direita. Esses jovens, segundo o autor, não obtiveram êxito nos seus ideais e muitos hoje exercem funções fora do padrão que pregavam. Ao contrário desses jovens, os estudantes de Harvard da mesma geração (anos 70), igualmente jovens, não faziam outra coisa senão estudar, não tinham tempo para a política, apenas para alguns trabalhos voluntários. Hoje, ao contrário dos jovens brasileiros, esses estudiosos ganham milhões de dólares, estão bem de vida e ajudam o terceiro setor com suas doações. Supostamente, fazem mais do que aqueles que tanto falaram em fazer e nada fizeram. Ao final do texto, um elogio: os jovens de hoje tendem a ser menos interessados em política e mais voltados a ações concretas, como os intelectuais de Harvard, portanto são melhores dos que o jovens do passado.

Diante disso, são várias as perguntas que carecem de respostas para mais esclarecimentos acerca de uma tal comparação. Vamos a elas: será que os contextos dos dois países citados, um em plena ditadura e outro em meio à Guerra Fria, são passíveis de comparação direta? O que confere aos jovens estudiosos de Harvard mais méritos que os jovens brasileiros empenhados na luta antiditatorial? Seria o sucesso obtido no mundo do trabalho? Seria a coerência dos próprios discursos com as ações praticadas? Por que os jovens brasileiros não obtiveram uma realização semelhante? É possível dizer que todos aqueles jovens que lutaram contra a ditadura fracassaram em suas vidas? É válido afirmar que todos estes mesmos jovens foram incoerentes com os próprios discursos? Qual o sentido que os jovens intelectuais de Harvard atribuiam ao mundo e à própria existência? Seria o mesmo sentido experimentado pelos jovens brasileiros? Finalmente, qual a experiência existencial experimentada pelos jovens de hoje? Seriam mais interessados em viver? Encontram-se engajados nas próprias comunidades? Valorizam as próprias famílias? Têm sonhos, desejos ou prospectivas futuras positivas? É possível afirmar que a geração dos jovens de hoje "está com tudo" e já superou o vazio profetizado por Nietzsche, Kierkegaard e Kafka, dentre outros pensadores?

Em contraste com o que afirmou Kanitz, não creio ser essa a geração de jovens que predomina hoje. Para a nossa tristeza, o que vejo é uma geração marcada pelo tecnicismo, vazia em sentido, que quer respostas e não sabe onde buscar. Em geral, são jovens acomodados e que se contentam com pouca coisa, muitos se perdendo no contato com a droga, o cigarro, o álcool e, agora, a internet. Alguns, somente alguns dentre milhões, exceptuam-se dos demais levantando e carregando a bandeira de seus desejos mais simples e genuínos.

Na contramão, Kanitz afirma que:
"[Os jovens da nova geração] não pretendem mudar o mundo, querem primeiro mudar o bairro, para depois mudar seu Estado e o país. Querem se tornar competentes para, então, até mudar o mundo, paulatinamente, ao longo da vida.
A nova geração está desencadeando uma revolução de cidadania, usando o cérebro e o coração para o voluntariado, engajando-se no terceiro setor, cada um fazendo sua parte. Não ficou somente no discurso, partiu direto para a ação".

Onde estão esses jovens da "nova geração"? Seriam os jovens de Harvard? Infelizmente, ainda não vejo uma revolução de cidadania como o autor destacou, tampouco engajamentos massivos no terceiro setor. É claro que existem muitos jovens que são verdadeiros exemplos nesse sentido, mas estão longe de ser maioria. Não quero ignorar a experiência de muitos jovens que dão a vida pela própria gente, mesmo em ações simples e dignas de nota, porém, enquanto não forem maioria, quantitativa mesmo, não posso caracterizar a geração atual como fez Kanitz.

Eu concordo com o autor no que diz respeito ao método, isto é, que cada um deve fazer a sua parte e, ao invés de pretender mudar o mundo, devem primeiro mudar o bairro, a cidade e conseqüentemente o país. Certamente é mais louvável elogiar resultados do que discursos ocos, portanto, também desejo que os jovens se empenhem concretamente no sentido de fazer o que lhes cabe, a começar do cuidado com a família, já bastante destruída e desmantelada. Todavia, sejamos honestos, há ainda muito por fazer para que os jovens de hoje sejam reconhecidos como parte de uma geração que "está com tudo".

Como diria Rollo May, renomado psicólogo norte-americano, o homem precisa encontrar-se em meio ao vazio marcante da modernidade e elevar um senso crítico capaz de fortalecer a consciência de si mesmo e evitar o predomínio de ideais ocos ou ainda os totalitarismos. Um passo é, portanto, a autoconsciência; outro passo, a consciência de que somos seres políticos e portanto abertos para o mundo e capazes de amar. Quem atinge esse nível de consciência pode exercer os trabalhos que quiser e tenderá a doar-se com autenticidade e espontaneidade encarando cada desafio em primeira pessoa.

No entanto, é interessante notar que Kanitz faz referência aos estudiosos de Harvard como "seres apolíticos" que ajudam o mundo por doar milhões de dólares ao terceiro setor. Bobagem. De que adianta doar milhões e se orgulhar da filantropia se estes mesmos que doam, os ditos seres "apolíticos", não conhecem a realidade que supostamente ajudam? Certamente, não é sem significado a ajuda de milhões de dólares a projetos sociais, mas esse exemplo só reforça a idéia inicial de que a geração das últimas décadas, na qual me incluo, cresceu sem o devido desenvolvimento crítico sobre a própria existência. Estava mais preocupada em ganhar seus milhões e a se sustentar em um mundo caótico e à beira da destruição.

Apesar disso, prefiro olhar com esperança e acreditar que podemos sim mudar o mundo, a começar de nós. Aguçando o senso crítico, adquirindo autoconsciência e interagindo com a realidade na qual vivemos, é possível sair dos vícios que tendem ao aprisionamento do eu e descobrir o valor das relações através de atos de amor concreto. É nesse jeito de ser que acredito e é este o meu ideal político através do qual baseio a minha ação e dou sentido à minha vida.





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30.5.11

A importância de um marco regulatório para a comunicação

A mídia brasileira necessita de um marco regulatório que a regimente. Essa foi uma das bandeiras mais discutidas no I Encontro de Blogueiros e Mídias Sociais do Ceará, realizado neste último final de semana. Colocou-se em relevo que ainda não existem leis atualizadas que permitam uma regulamentação do setor. Fica a pergunta: qual a importância disso?

É de notório saber que o poder da mídia é de grandes dimensões, haja vista o impacto psicológico e social que gera nas pessoas. Por isso mesmo é preciso ter regras. Não se pode pensar que fazer mídia signifique transmitir ou publicar qualquer coisa, à revelia da ética e do cuidado à dignidade humana. Neste ponto, uma observação importante: enquanto a Constituição Federal de 1988 trabalha com a presunção da inocência, infelizmente o que se verifica na grande mídia é que esta trabalha com a presunção de culpa. Em outras palavras, o risco de tal poder é a destruição pela comunicação. Se a mídia quiser, acaba com a vida de alguém expondo-a na proporção que ela julgar necessária até o ponto em que um direito de resposta já não seria de grande valia. Trabalhar com a presunção de culpa é o mesmo que dizer que se a mídia julga alguém culpado, mesmo sem uma avaliação legal, este "é" culpado e esta o tratará assim até que se mostre o contrário. O problema é que quando o contrário vem à tona já é tarde e o estrago já está feito.

Há quem compare o poder da mídia ao poder ditatorial, afinal, é um poder que se concentra nas mãos de poucos, que decidem o que deve circular definindo os momentos, as formas e as circunstâncias de cada conteúdo. De outro lado, há quem tema que uma regulação da mídia mine a liberdade de expressão, mesmo em um contexto no qual a liberdade de expressão das grandes mídias é a liberdade de poucos sobre muitos. Nesse ínterim, limito-me a afirmar que a verdadeira liberdade de expressão é a que abre o espaço para os ditos e os contraditos, que não se restringe a um ponto de vista limitado. Ademais, se não existem regras para a comunicação social, a liberdade do mais forte se sobrepõe à liberdade do mais fraco.

Eis porque se faz necessária uma regulamentação da comunicação. É preciso garantir a todos os cidadãos o direito à comunicação e a possibilidade de escolher o que quer ver; é preciso garantir o acesso à internet com banda larga para todos; além de ser urgente a luta pela verdadeira liberdade de expressão. Juntamente com outros milhares de blogs Brasil afora, estou junto nesta luta por uma comunicação mais fluida e democrática entre todos os cidadãos. Faça a sua crítica, reflita e levante esta bandeira!





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29.5.11

A arte e a poesia

A vida é arte… o artista não a cria, se ela já está criada, mas a recria com o seu talento; repinta-a, mas não a substitui; complementa-a, mas não faz dela qualquer coisa de novo ou não criado… o artista é observador do que está manifestado. Criador tão-somente de termos ou formas que descrevam esse manifestado, sem, por isso, apossar-se da arte. A arte não é de alguém, mas do contexto da vida, assim como a vida é a arte.

Nesse ínterim, não é demais dizer: a mente do artista é aquela que, por excelência, revela a arte, que envolve diversas formas de expressão. Arte diversa a ponto de ser verificada nos tons da música, nos versos da poesia, nos traços e formas da pintura e das artes plásticas, nos gestos do teatro e do cinema e nos experimentos que hoje congregam tantos modos de expressão artística.

A arte é vida e o artista é expressador dessa vida. Como vivente, ele sente, assimila e descreve a arte à sua maneira, mas parte da vida, parte da visão do mundo e do que perpassa o seu mundo vivido (lebeswelt), lançando o seu olhar sobre ele. A vida prescinde de quem a viva, assim como a arte prescinde do artista.

O poeta, também ele artista, faz da arte (logo, da vida) expressão do vivido através das letras. A poesia é, por assim dizer, a arte da expressão literária do mundo. Não é a única forma de expressão literária, mas é aquela que, por excelência, colhe do mundo palavras que adquirem significados que estão potencialmente além dos que esta própria comunica em suas letras. Na poesia, uma única palavra é capaz de dizer mais do que muitas frases e parágrafos juntos. Eis por que é possível dizer que fazer poesia implica revelar o mundo através de palavras que traduzem a vida a partir de quem a viva e a sente. Não é tarefa fácil, mas o verdadeiro poeta transforma o que sente em versos, assim como faz o pintor com suas telas e o compositor com suas músicas.

E assim, na arte (e por meio dela), a vida se manifesta…


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4.5.11

Como festejar a morte de uma pessoa?

A nação norte-americana vibrou! Festejou à valer como se tivesse vencido um campeonato importante durante a madrugada desta última segunda-feira. Uma festa que ainda continua! Hoje saiu uma notícia de que chegaram ao ponto de confeccionar peças de roupas e outros objetos com estampas destacando a alegria pela morte de Bin Laden. Como alguém pode festejar a morte de uma pessoa de maneira tão efusiva?

Por acaso a morte de Bin Laden resolveu os problemas? Segundo o presidente dos Estados Unidos, "a justiça foi feita". Perguntemo-nos: como se faz justiça? É possível eliminar o mal matando alguém? Estamos realmente livres do mal com o morte de Bin Laden? A julgar pelo tamanho da festa em território norte-americano, sim; mas a julgar com a inteligência que lhes parece faltar nesses momentos, não. O mundo continua o mesmo, com ou sem Bin Laden, pois o mal não é fruto de uma só pessoa; tem raízes bem mais profundas e o que ele fez outros podem fazer.

O atentado às torres gêmeas e ao pentágono, orquestrado pela organização comandada por Bin Laden, foi, sem dúvida, um estrondoso crime contra a humanidade. No entanto, o ato dos Estados Unidos revela a prepotência de uma cultura que se acha salvadora do mundo e com o direito de invadir países com o motivo que julgar correto e oportuno. O que eles fizeram abre novos e perigosos precedentes de violação de direitos humanos, uma vez que a ação realizada no Paquistão pode ser feita em qualquer lugar, como já demonstrado no Iraque e no Afeganistão recentemente.

Os Estados Unidos utilizaram a força militar numa ação unilateral, sem aliança com outros países, em território estrangeiro. Em outras palavras, invadiram a casa de uma pessoa em um outro país e a assassinaram. Por que não capturaram Bin Laden e sua trupe para melhor conhecer as causas que os levaram a cometer os atos de terrorismo? Certamente, a Al Qaeda poderia ser melhor conhecida com uma investigação mais detalhada feita com o próprio Bin Laden, que diziam ser o comandante principal. No entanto, ele foi sumariamente executado, eliminado, num ato tão covarde quanto o que o próprio cometeu comandando o atentado às torres gêmeas e ao pentágono.

O terrorista mais procurado está morto, mas não há o que festejar. Afinal, sangue não pede mais sangue e a paz não precisa da guerra. Onde iremos parar se continuar assim?


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27.4.11

Por uma cultura da unidade!

O homem está em crise. Desnorteado, vive uma cultura que o faz fechar-se ainda mais em sua própria experiência, matando as relações e limitando o convívio social. Parafraseando Rollo May, o homem deve caminhar numa "busca a si mesmo", reconhecendo porém que tal busca não pode fechá-lo ao contato com o outro e com o mundo. A crise do homem de hoje se encontra na cultura predominante, que incita a ética do "eu sozinho", da autonomia e do consumo, na qual o mesmo homem se destrói, levando consigo a Criação. Faz-se necessária, portanto, uma nova cultura!

Uma cultura capaz de perceber o valor do outro, na qual prevaleça o respeito, a harmonia e o amor. Uma cultura na qual o diferente é considerado sem ser excluído, onde os fracos têm vez e voz. Numa cultura assim,  a vida é uma viagem, um processo: é história que se faz em fatos construtivos, e não destrutivos.

Precisamos recuperar os laços de confiança com cada ser que passa ao nosso lado e acreditar que somente assim o mundo e a cultura podem se reconstruir numa rede fraterna onde impera o Amor. Mas o que é o Amor? A palavra "Amor" implica o dom de si, que por sua vez implica o encontro para algo ou alguém fora do próprio eu no reconhecimento de um tu. Amar é doar o próprio olhar, a própria escuta e lançar-se. É, portanto, uma tarefa árdua e nem sempre fácil, que requer um amplo senso de liberdade e uma forte consciência do sentido da própria existência. Para amar, precisamos estar inteiros, saudáveis e dispostos a encontrar no outro uma razão maior para viver a vida.

A cultura, com seus múltiplos contornos, depende de nós, realiza-se em nós e é marcada por nossas ações. Para mudá-la, portanto, é necessário o nosso empenho. Não basta somente criticar, mas é preciso, antes de mais nada, reconhecer em nós mesmos a necessidade de mudança. Criticar os políticos ou aqueles que roubam, matam e destróem não é o bastante se não reconhecemos que em nós também existe uma certa dose destrutiva quando não respeitamos o outro e quando ferimos as nossas relações. A lei existe para auxiliar o homem neste intuito, mas a moral é do homem e deve ser vivida com consciência por cada um de nós.

É nesse sentido que defendo uma cultura da unidade. Não para afirmar uma igualdade comunista, nem tampouco para deixar que direitos e necessidades humanas sejam desrespeitadas em favor de interesses limitados. Uma cultura da unidade faz-se necessária para que os homens possam reencontrar uma convivência harmoniosa com seus pares e com a natureza. Somos todos resultantes da poeira cósmica espalhada em milhões de anos e filhos da mesma Terra, embora sejamos tão diferentes um do outro. Por uma cultura da unidade, vivamos o Amor verdadeiro!


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7.4.11

Eu acredito no Amor!

Tantas vezes caminho pelas ruas de minha cidade e vejo a gente que sofre na severa luta pela sobrevivência. Ora, essa gente sou eu! Sou eu na busca por trabalho, sou eu na necessidade de comida e proteção. Sou eu! Essa gente sofre. Eis onde mora o perigo: o homem é capaz de tudo para a própria subsistência, mesmo que isso implique passar por cima de outros, desconfiar de um amigo, matar crianças inocentes em escolas, construir usinas nucleares com fins econômico-políticos e destruir grandes ideais em detrimento de fugacidades.

Quando na vida nada mais há sentido além da própria necessidade de sobreviver a qualquer custo, tornamo-nos atores da destruição. Nesse contexto, destrói-se a família e nada mais há sentido além do próprio eu. Se, ao invés, descobrimos no outro a razão de nossa vida, o Amor predomina, cria e transforma. Por isso que prefiro acreditar que "apesar de você, amanhã há de ser outro dia". Vivendo o Amor concreto, no dia-a-dia, podemos descobrir a beleza presente em cada momento de nossa vida, não obstante as fragilidades humanas.

Apesar de todas as mazelas do mundo hoje e da coleção de desgraças a que estamos acostumados a ver através dos telejornais, da internet e outros meios, prefiro cantar com o bom e velho Chico, afinal a vida e tudo o que ela comporta depende de nós e de nossa abertura para o mundo e para o outro.

A humanidade já superou inúmeras dificuldades e, mesmo que hoje pareça caminhar para uma auto-destruição, é capaz de se encontrar também nessa e crescer. O caminho, para isso, é o Amor!

"Apesar de você" é um canto às possibilidades de mudança, no qual o homem revela seu movimento e dinamismo na constante luta por um mundo mais sadio e digno de se viver, afinal, apesar das pessoas que ainda se deixam levar pela onda destruidora do mundo, podemos sempre ir contra a corrente. Faça a sua parte e cante a essas pessoas, comigo e com Chico Buarque, por um mundo melhor!

É só dar o play!


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16.3.11

Em que você acredita?

O destino mudou. Corre na internet a notícia de que o horóscopo que praticamente todos conhecem e que muitos consultam para saber de suas próprias variantes pessoais mudou. Isso mesmo, mudou! Um momento, amigo/amiga, reflitamos: ninguém se perguntou à respeito? E os que acreditam, se perguntaram e continuaram acreditando? Os astros não mentem, mesmo que a leitura deles feita seja totalmente equivocada.

Por que encontramos tantas coincidências entre o que diz o horóscopo (seja o velho, seja o novo) e a própria vida? Uma hipótese é que a consciência humana é facilmente sugestionável, sobretudo em virtude da necessidade de autoconhecimento presente no ser humano. Desde sempre, o desejo em conhecer a própria vida e o sentido da própria existência faz parte do ser humano, que tende a buscar as mais variadas respostas para tanto. A história da mitologia e a evolução do saber científico nos mostra isso. No entanto, algumas dessas tentativas de responder ao desejo de autoconhecimento inerente ao ser humano são parciais e nunca foram demonstradas a fundo. É o caso da astrologia, que alimenta a idéia da influência dos astros do universo na determinação dos comportamentos humanos.

Ora, considerando que o universo é um enorme sistema em que cada partícula, por minúscula que seja, está em constante interação com o sistema, é impossível negar que os "astros do céu" não tenham alguma influência sobre nós. O problema é que mesmo um sistema tão complexo, exatamente por ser complexo, não é capaz de evidenciar todas as suas determinações. No entanto, o imaginário humano foi capaz de enxergar no horóscopo e suas constelações tantas particularidades comportamentais que os psicólogos não teriam necessidade de estudar a personalidade para conhecer as variantes do complexo ser humano.

Mas e você, em que acredita?




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26.12.10

A rede social

É bem verdade que o homem é um ser social, dado que não pode sobreviver sem uma relação com algo ou alguém para além de si. Há mesmo quem diga que o homem está diretamente implicado com o mundo no qual vive, com suas nuances e peculiaridades; e há ainda quem afirme que o homem vive em meio ao social e cria laços significativos para a sua existência. No entanto, este mesmo homem, dos tempos modernos ao tempo de hoje, tem atravessado grandes mudanças e vivido alguns fenômenos típicos deste período histórico que parecem contradizer (ou paradoxalmente reforçar) a dimensão social de sua existência. Fenômenos como o individualismo e o niilismo são marcas do homem contemporâneo, como já previa Nietzsche nos anos 1800 e como já havia notado Heidegger em meados dos século passado.

O filme dirigido por David Fincher, "A Rede Social", confirma essa caraterização. Curiosamente um filme que narra a aventura de um nerd cuja principal forma de existência é o computador e que cria uma rede social virtual. A "rede social" que ele cria conecta milhões de pessoas de todo o mundo facilitando a troca de informações, mensagens e até de arquivos, a depender dos aplicativos utilizados. O filme "A Rede Social" não é só a história de criação de um site de sucesso, pois retrata a geração dos jovens de hoje, cada vez mais ávidos por informação e cada vez mais ágeis na obtenção de tal informação.

Sem uma análise mais criteriosa, é fácil perceber que estamos sempre mais conectados, todavia, sempre mais presos e dependentes ao computador, que virou amigo de confiança. A rede social de um suposto mundo virtual ganha força com a troca de informações do mundo real, o que me faz afirmar que mesmo o virtual é real. No entanto, o que está em jogo aqui é a dependência que as ferramentas tecnológicas podem exercer sobre a pessoa, uma vez que criam uma nova forma de intermediário na relação interpessoal. A pessoa tende a depender de algum instrumento para estabelecer ou mesmo fortalecer suas relações, pois ela mesma não é capaz de encarar o mundo e o outro de forma direta como forma de se proteger.

Com as diversas redes sociais espalhadas na internet, é possível perceber que se por um lado elas são bastante úteis para aproximar as pessoas, por outro podem ser prejudiciais quando criam dependência ou quando em nada contribuem para o florescimento das relações pessoais no dia-a-dia de cada usuário. Se há quem se conecte para dizer o que está fazendo ou sentindo para as suas centenas de "amigos", há quem se conecte porque não há amigos de fato e o computador é um intermediário na sua relação com mundo. Em suma, mesmo com a expansão das redes sociais na rede mundial de computadores, não há nada que se compare com os contatos pessoais. Facebook, Orkut, MySpace, dentre outras redes, precisam ser espaços bem utilizados, de modo a complementar ou enriquecer o universo pessoal de quem as utiliza. Do contrário, será somente mais uma evidência do crescente (e paradoxal) isolamento do homem de hoje.

Para finalizar, faço o convite para assistir ao filme citado e tirar as próprias conclusões! São muitas as questões que podem ser levantadas sobre este argumento e certamente poderei retomá-las em outras oportunidades. Enquanto isso, você também pode manifestar as suas reflexões clicando no link logo abaixo do trailer.






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16.10.10

A internet e a sua força nas eleições 2010

Como podemos ver, o debate eleitoral tem se tornado cada vez mais acalorado e as notícias voam com uma velocidade incrível. "Nunca antes na história deste país" tivemos tamanha troca de informações em prol das eleições. Os candidatos se prepararam antes do processo eleitoral iniciar e se armaram com blogs, twitters, facebook e orkuts, criando perfis, comunidades e sites para abrir novos canais de comunicação com o eleitor. Além disso, os blogueiros de plantão, entre jornalistas e cidadãos comuns, também intensificaram o debate na rede mundial de computadores.

Segundo estatísticas colhidas pelo site To be Guarany!, no Brasil já temos mais de 67,5 milhões de internautas, dos quais pelo menos 36,4 milhões têm acesso regular, em casa ou no trabalho. Considerando o total, ao menos 87% acessam a internet semanalmente e o ritmo de crescimento tem aumentado intensamente. Segundo a Agência Estado, o Brasil ocupa a quinta posição em mercado de celulares e internet.

Nesse contexto, como muitos blogs e analistas puderam confirmar, o resultado das eleições presidenciais no primeiro turno foram bastante influenciados pela troca de informações virtuais. Além disso, é mais fácil para o eleitor ter contato com notícias de diversos espectros sem ficar restrito àquilo que é veiculado pela grande mídia. Ainda que esta última detenha o controle das próprias notícias, selecionando a matéria que lhe convém, com a internet o eleitor tem maiores chances de democratizar o debate em torno de cada campanha.

Como sabemos, em uma democracia, opiniões diferentes e até contraditórias são parte do jogo. Faz-se necessária uma discussão que possibilite aos cidadãos uma leitura ampla da própria realidade, encontrando divergências e convergências, dialogando e tentando discutir como melhorar a vida comum a eles. A política, numa democracia, cuida do que é de todos, abrindo espaços de diálogo entre os cidadãos e garantindo liberdade e igualdade de expressão. O objeto da política é o bem comum.

Lamentavelmente, o que vemos nas últimas semanas na internet e na grande mídia não corresponde exatamente à descrição acima. Assistimos a uma onda difamatória e caluniosa capaz de criar um racha na consciência e na memória brasileira, incitando o ódio a quem se declare a favor da candidatura de Dilma. É impressionante como na grande mídia (refiro-me aos principais jornais e revistas) é difícil encontrar alguma matéria positiva à respeito da candidata do governo, Dilma Roussef. Querem ludibriar o povo brasileiro e fazê-lo acreditar que José Serra é o santo, o cristão, o abençoado, ou o "homem de bem", enquanto que à Dilma são associadas as imagens de "assassina", "bandida" e "matadora de criancinhas". É a "mulher do mal" contra o "homem de bem". Estou indignado com tanta farsa e tamanha baixaria!

O meu consolo é que a democracia hoje só tem a ganhar com meios como a internet, de modo a não se intimidar com a força paranóica e ultra-conservadora da grande mídia. Posso, mesmo distante do Brasil, estar à par do que acontece, indignar-me e fazer chegar a todos os que conheço a minha indignação. O curioso é que em meio às minhas manifestações, já fui chamado de tendencioso e imparcial, mas, se analisarmos com profundidade a realidade atual da discussão, imparcial é um jornal como a Folha de São Paulo que publica na capa de sua edição de 12/10 uma foto onde Dilma não faz o sinal da cruz em uma celebração. Imparciais são os meios que publicam uma foto de José Serra beijando o crucifixo de um rosário em plena carreata, em Goiás. Em suma, imparcial é quem não se abre ao diálogo e não permite a discussão de temas mais sérios do que fofocas e difamações. Onde existe manipulação e calúnia, não existe espaço para a liberdade, rompendo com isso a própria lógica da democracia.

Contra esse tipo de absurdo continuarei a me manifestar, certo de que posso exercer o meu direito de cidadão, alertando os desvios e fomentando um debate justo e verdadeiro em torno do que realmente interessa para o Brasil. Nos meus perfis do Twitter, do Facebook e do YouTube tenho discutido intensamente sobre estas questões. Convido a todos a fazerem o mesmo, intensificando o debate eleitoral.

Viva a internet e a liberdade!


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12.10.10

Refletindo sobre o segundo turno das eleições 2010

É preocupante o rumo que as eleições tomou no nosso país, sobretudo no período do segundo turno. A igreja entrou no meio da discussão divulgando o apoio de muitos bispos ao PSDB alegando que o PT está institucionalmente engajado na implantação da cultura da morte, dado que possui itens em seus estatutos que apontam nessa direção. Por outro lado, esquecem-se de dizer que a política neoliberal, típica do PSDB, é também favorável a descriminalização do aborto, ainda que não o afirmem por meio de estatutos. Para confirmar este dado nos é necessário somente observar a política vigente em outras nações de base neoliberal, onde o aborto e a tão temida cultura de morte já é lei. Acrescento que as Nações Unidas, como bem recordam alguns bispos brasileiros, também se mostram favoráveis a tal cultura. Não nos esqueçamos que o próprio José Serra, quando era ministro da saúde do governo de FHC, assinou medidas a favor do aborto.

O que quero argumentar com isso?
Simplesmente que não podemos tomar como base para o nosso voto consciente somente um lado da moeda e julgar uma só candidatura como se a outra nada tivesse a dizer à respeito deste assunto. Ademais, a "guerra santa" propagada no embate do segundo turno chegou ao extremo e cada candidato/partido quer se mostrar mais cristão do que o outro, criando imagens destrutivas do rival como se um fosse amaldiçoado e o próprio abençoado. Além de revelar uma grotesca hipocrisia em ambos. Vi, estarrecido, imagens do candidato José Serra beijando a cruz de um rosário em uma carreata no Estado de Goiás. Imagens de momento, onde prevalece o apelo (eu diria também suplício) aos votos cristãos. De outro lado, a candidata Dilma Roussef também aparece em igrejas com mais freqüência, como mostram imagens recentes do Santuário de Aparecida, em São Paulo, e tem afirmado com mais veemência o que antes não dizia em público.

Não entremos nessa guerra santa como se um fosse melhor do que outro considerando somente este viés. Ambos os candidatos e seus respectivos partidos não podem ser pensados somente sobre este pontos de vista porque não mostram coerência em seus discursos e práticas. Sem falar que estes temas não são unanimidade entre os membros de ambos os partidos, havendo membros que pensam o contrário do que os partidos pregam. No que toca o ponto de vista religioso, ambos se anulam e, portanto, este não é um ponto que nos traz boas possibilidades de reflexão. Em matéria de aborto e cultura de morte, o que vemos é o sujo falando do mal lavado.

Preciso acrescentar que nenhum dos dois candidatos me agradam particularmente, no entanto não posso ficar alheio a este debate. Como então pensar o que seja melhor para o nosso país?

Pensemos no projeto de país. Não nos esqueçamos do que cada partido foi capaz de realizar e de qual política realizam. Vamos colocar na balança os resultados dos projetos de cada candidato/partido e discutir as verdadeiras diferenças entre eles. A partir dessas diferenças, podemos avaliar o nosso voto e saber quem realmente representa o melhor para o nosso país.

Para quem desejar, compartilho o link da nota oficial da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) sobre o assunto, bem como da nota oficial da CBPJ (Comissão Brasileira de Justiça e Paz), ligada à CNBB.


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