Textos e reflexões de Rodrigo Meireles

9.8.13

Cine Holliúdy

No dia 9 de agosto estréia a comédia brasileira (e genuinamente cearense!) Cine Holliúdy, de Halder Gomes. O filme, selecionado em diversos festivais no Brasil e no mundo, ganha as salas de cinema de Fortaleza prometendo boas gargalhadas e alta dose de humor. Utilizando gírias e frases típicas do vocabulário cearense, o filme narra a montagem de uma sala de cinema numa cidade do sertão do Ceará.

Em meio a trama, muita comédia e o medo da chegada da televisão, que poderia arruinar a diversão instalada no sertão e que passou a encantar diversos espectadores. Cine Holliúdy é um filme que merece a atenção do cearense e convida a todos os brasileiros a conhecerem esta terra especial, que revela uma cultura própria.

Já li alguns comentários de cearenses criticando a obra e afirmando que não se identificam com o jeito de falar apresentado no filme. No entanto, o fato é que  as expressões utilizadas no filme são autênticas e bastante utilizadas no Ceará, apesar de que muitas pessoas tendam a ignorar isto e a rejeitar este jeito cearense de ser. É claro que no filme as expressões apresentam certo exagero e uma boa dose de escracho para garantir mais risadas, já que se trata de uma comédia. Contudo, isso não significa que tais expressões não existam no cenário local. 

Convido a todos a assistir o trailer oficial e prestigiar mais esta obra de arte. Boa diversão!



A estreia em outras cidades do Brasil acontecerá com data a ser marcada.




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26.7.13

Juventude e participação política

Em dias de grande importância para a juventude, eu gostaria de compartilhar o livro "Juventude, Educação e Participação Política", de Alexandre Aragão de Albuquerque, educador, amigo e mestre em Políticas Públicas e Sociedade. Este trabalho foi fruto de uma pesquisa suscitada de encontros com jovens em Fortaleza/CE, na qual foi possível compreender melhor como se dá a participação política da juventude nos espaços que são oferecidos.

Assumir um papel político, isto é, que vise um bem comum, não é tarefa fácil nos dias de hoje, sobretudo se consideramos o descrédito da população com os políticos que estão nos poderes. Ainda assim, a política deve ser melhor compreendida para instigar maior participação das pessoas, principalmente dos jovens e de quem historicamente tem sido deixado à margem das discussões. Política não deveria ser para alguns, mas para todos, afinal a polis não se restringe a uma minoria. Todos podem e devem assumir a sua responsabilidade política de garantir um mundo, um país, um estado, uma cidade ou um bairro melhor de se viver, e isto está para além do voto.

Para continuar esta discussão, compartilho o prefácio escrito por Maria Teresa Nobre, Professora da Universidade Federal de Sergipe. Neste texto, a partir do trabalho desenvolvido por Alexandre, a professora traça uma breve reflexão sobre o protagonismo e a importância da participação política nos cenários abertos do cotidiano.

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Protagonismo e participação: desafios da ação política

Espaços institucionais são lugares que podem ser ocupados de muitas maneiras. Lamentavelmente, pela corrosão que vem se procedendo nos regimes democráticos pelo mundo afora, essa ocupação tem se dado de modo formal, para cumprir agendas políticas, pautas de plataformas de estados e governos, que não raramente privilegiam interesses outros e não a vida concreta das pessoas, suas relações sociais, seus estilos de vida. Não é novidade, nem recente, a divulgação de resultados de pesquisas feitas por vários órgãos que atestam a descrença das pessoas nas instituições, sejam elas tomadas no seu aspecto imaterial (como a religião, a política, a família), sejam no seu aspecto concreto (os partidos, as igrejas, as políticas públicas, os movimentos sociais, etc.). Muito comum também é o discurso sobre a apatia da juventude, a sua “alienação”, o seu individualismo, marcadamente ancorados no consumismo e no hedonismo, que se tornaram baluartes dos modos de viver na contemporaneidade.

O trabalho que Alexandre Aragão nos apresenta vem na contramão dessas “lógicas”. Trata-se de um fragmento de longas experimentações, que constituem a trajetória de militância política e vida acadêmica do autor, desde a sua participação na política estudantil dos anos 1980, na Universidade Federal de Pernambuco até a coordenação da Escola Civitas de Fortaleza, entre 2007 e 2009. Desse longo percurso, que agrega silenciosamente tantas outras experiências - não relatadas no texto, mas implícitas em muitas passagens do trabalho -, foi gestado o objeto da sua dissertação de mestrado apresentado ao Programa Políticas Públicas e Sociedade, da Universidade Estadual do Ceará, em 2011: a participação de jovens estudantes do ensino médio de uma escola pública, no Orçamento Participativo de Fortaleza. Problematizar como se deu a participação dos jovens que ocuparam o espaço público na condição de protagonistas e não de meros expectadores, foi o desafio posto a si mesmo pelo autor e o coração da pesquisa por ele empreendida.

Falo em protagonismo remetendo à origem etimológica da palavra: agonia em luta. Neste sentido, toda experiência de participação política tem a sua agonística: ela emerge do conflito, da disputa travada no jogo de forças que os homens tramam entre si, do combate nas ações cotidianas. Tal espírito de luta, como nos ensinam as narrativas épicas dos gregos, entretanto, não exalta o aniquilamento dos vencidos, mas a afirmação da nossa condição de homens livres, capazes de desenvolver o espírito de tolerância, respeito ao oponente e senso de justiça.

Na esteira da construção desses valores temos a invenção da Política, como dispositivo de exercício de poder que se contrapõe à guerra. Uma discussão inovadora sobre o poder, esse tema tão caro à filosofia política, é brilhantemente feita por Alexandre Aragão, sendo essa uma marca forte do trabalho: os modos pelos quais o exercício do poder político é apropriado por jovens que em geral, encontram-se à margem da esfera pública.

Privilegiando a voz dos próprios atores, sejam eles gestores, professores e, sobretudo, alunos, ouvidos em situação de observação participante o autor narra o percurso da participação de jovens estudantes no Orçamento Participativo de Fortaleza e seu impacto sobre a construção da cidadania, que se inicia numa sala de aula e se amplia com a experiência da Escola Civitas.

O trabalho de campo da pesquisa salta aos olhos, num enredo que convoca o leitor à reflexão e que instiga a discussão acerca da relação do pesquisador com seu objeto. Longe de defender uma neutralidade asséptica o autor explicita na metodologia adotada e na análise dos dados sua própria posição política, marcada pelos valores nos quais acredita e que defende: a abertura à diferença como condição necessária ao diálogo que produz e sustenta a ação política, a igualdade e a liberdade como pilares da construção da democracia e a comunhão fraterna, ancorada na generosidade de uma doação que não é apenas de bens materiais e simbólicos, mas de si mesmo, como força motriz da construção de uma nova sociedade, que começa, entretanto, por ações miúdas, que ganham visibilidade e força quando compartilhadas.

Por um lado, a narrativa aponta inquietações, contradições, impasses e desafios vividos pelos protagonistas, e por outro, apresenta reflexões sobre as alternativas encontradas, muitas vezes num exercício de teimosia e esperança de adolescentes e jovens que insistiram em desafiar a ordem posta das coisas: o que queremos para o nosso bairro, para a nossa cidade? Como queremos? Do que precisamos, quais as nossas necessidades, nossos desejos? Como fazer os moradores participarem? Como fazer nossa voz ser ouvida em espaços institucionais pouco afeitos à participação popular?

Destaco aqui essa agonística, ressaltando a enorme distância que existe entre a idéia de um projeto e sua realização após ter se institucionalizado e disso não escapam as experiências rotineiras do Orçamento Participativo. Ao produzem fraturas nessa lógica da participação formal ou burocrática, ao cavarem “brechas” para uma participação concreta e democrática, os atores da experiência relatada por Alexandre Aragão denunciam a tendência que as organizações sociais possuem ao fechamento e reprodução de práticas instituídas, mas ao mesmo tempo, anunciam a possibilidade de mudança, que se dá a partir do compromisso político-afetivo das pessoas, enfatizando o caráter coletivo dessas ações. É esse sentido do coletivo – a construção de um “nós” em contraposição a “eu e os outros” - que forja nos jovens uma nova dimensão da política, antes vista tão somente no seu aspecto negativo, como campo de corrupção e desavenças.

“Sejamos realistas, tentemos o impossível”, dizia uma das frases gravadas nos muros de Paris, em maio de 1968. Numa época de perda de ilusões, de descrença em mudanças, de acomodação e indisposição para a luta, de insegurança e medo generalizado que produz isolamento e apatia, os atores da experiência apresentada neste livro mostram que pequenas ações cotidianas de participação política podem resultar na conquista de bens sociais a serem partilhados, em alegria, reconhecimento e esperança. É, pois, com enorme satisfação que prefacio este livro, convidando o leitor a mergulhar nas experiências nele narradas e encontrar a vida que nelas pulsa, através de seus personagens e das ações por eles protagonizadas.

Maria Teresa Nobre




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25.7.13

O poder da mudança

Recentemente, uma pessoa perguntou-me o que eu faria se tivesse todo o poder do mundo. Sem muitas delongas e com sinceridade, eu posso responder que eu gostaria de acabar com todo o mal, parar todas as guerras e também parar todas as violências cometidas pelos humanos. Se eu tivesse este específico poder, eu gostaria de fazer com que todas as pessoas fossem capazes de viver o verdadeiro Amor.

Sim, se eu tivesse este poder, eu gostaria de acabar com todo o mal e parar todos os sofrimentos. Eu não gostaria mais de ver crianças chorando porque não têm o que comer e também não gostaria de ver pessoas miseráveis nas ruas das estradas mundo afora vítimas de interesses restritos e materiais. Ao invés disso, eu gostaria de ver mais dignidade para todas as pessoas do mundo.

Mas, como eu faria isso? Como sabemos, o mundo é enorme e as pessoas são bastante diferentes umas das outras. Vivem diversas culturas, dentre as quais, culturas que as fazem pensar diferente de mim em muitos aspectos e que têm, cada uma, belezas e riquezas próprias. Existem diferentes crenças no mundo e diversos interesses que movem as ações das pessoas. Como eu poderia dizer o que é melhor para cada um em particular? As pessoas são livres para escolher como viver e mesmo um tal extraordinário poder não mudaria isto por muito tempo. Um poder assim apenas subordinaria as pessoas a mim, tolhendo a liberdade e forçando uma unidade que não respeita as diferenças. Um poder deste tipo não me serve e não me representa.

Contudo, apesar das diferenças, eu penso que também existem diversos princípios comuns e essenciais entre os vários povos e culturas, como o princípio da vida, que inspira o princípio da dignidade da vida humana. Segundo Kant, cada pessoa é um fim em si mesma, não um meio, e tem potencialidades que precisam ser valorizadas. Portanto, através deste princípio, cada pessoa pode ser mais tolerante e mais respeitosa, dado que para viver e preservar a própria vida, deve também saber viver com quem está ao lado. A vida não é de um ou de outro, não pertence a alguém específico. A vida é de todos para ser vivida com todos, o que exige abertura, respeito e tolerância. Nenhuma pessoa que valoriza a própria vida quer morrer e, por isso mesmo, não pode ter o direito de matar ou fazer sofrer a outrem. Então, podemos dizer que é possível viver com outras pessoas, mesmo se tais pessoas sejam tão diferentes.

Diante disto, uma pergunta: existiria algo que todas as culturas poderiam viver para que uma mudança acontecesse a ponto de amenizar os conflitos e os sofrimentos? Sim, existe! O Amor ao próximo! Viver com o outro significa saber doar-se, ou seja, amar. Todas as culturas podem viver isto. Ainda que o mal exista e que o homem possa escolher entre fazer o bem ou o mal, o Amor é a chave para a fraternidade universal.

Desta forma, eu posso dizer que tenho algum poder. Primeiramente, porque posso mudar a mim mesmo para ser o primeiro a amar e, fazendo isso, eu posso gerar a mudança nas pessoas próximas a mim e transformar o mundo, como uma onda do mar. Para isto, eu preciso ser a mudança que eu quero para o mundo. Portanto, eu posso viver este poder em cada ação, em cada olhar e em cada escuta que faço no meu dia-a-dia. Não é fácil, eu sei, e muitas vezes posso errar. Todavia, posso praticar este Amor todos os dias e viver a minha vida de forma livre e leve. O segredo é viver o Amor. Isto é, começar a mudança a partir de mim, sendo capaz de doar-me para cada pessoa ao meu redor. Ou, simplesmente, ser o Amor. Este é o meu poder de mudança.

A ação de cada um de nós e um poder tão singular podem parecer insignificantes diante de um mundo tão vasto e complexo, mas, se cada um usa o seu poder de amar, este mundo poderia ser um lugar diferente e bem melhor para viver.




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6.7.13

É hora da mudança!

O Brasil acordou, se levantou e se manifestou, mas... e agora? Não pode voltar a dormir! É hora de participar e mudar! O brasileiro que foi às ruas (e muitos dos que ficaram em casa!) já mostrou sua insatisfação com a Política realizada no país, o dinheiro público mal utilizado e o excesso de regalias dos políticos que estão no poder. Várias pautas foram bradadas nas ruas e alguns efeitos já foram sentidas nas cúpulas de Brasília. Com isso, os três poderes foram sacudidos com as indignações dos brasileiros que pedem melhorias, mas... não podemos parar!

No Congresso Nacional, a PEC 37 foi arquivada e a discussão acerca dos recursos dos royalties do pré-sal para educação e saúde avança, mas outras pautas ainda precisam avançar. A Presidente sugeriu um plebiscito com algumas questões acerca da reforma política, mas não há consenso entre os demais políticos sobre esta questão e o fator tempo talvez impeça a sua realização. Ainda assim, seja através de plebiscito, de referendo ou de pressões nas casas legislativas, a população tem que continuar a se manifestar para proporcionar as mudanças necessárias em prol de uma Política mais justa e mais próxima dos cidadãos.

É hora de arrumarmos nossa casa. É hora de arrumar o Brasil!

Elenquei aqui algumas das pautas que mais se repetiram nas ruas, procurando agrupar por temas afins e manter pautas coerentes entre si. Ressalto que não estão em ordem de prioridade ou de importância, pois todas são relevantes dado que são oriundas de demanda popular. Além destas, existem outras várias pautas, mas estas são algumas das mais significativas no tocante à reforma política e à reforma orçamentária.
Eis, portanto, algumas possíveis pautas para as mudanças que queremos:

Ampla reforma política:

1) Acabar com as regalias dos políticos dos 3 poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário). Partindo do princípio de que todos são iguais perante à lei, todos deveriam ser remunerados e beneficiados como um trabalhador comum, não há motivos para diferenciar os políticos dos demais cidadãos. Segue, portanto,  uma lista de propostas contra as regalias:
- Extinção de diversos auxílios-extra e sem motivo (auxílio-paletó, etc.);
- Extinção dos 14o. e 15o. salários (Apesar de já ter sido votado, é sempre bom lembrar este abuso para nunca mais se repita);
- Extinção de férias de 60 dias (o político gozaria de férias de 30 dias, como todo trabalhador);
- Fim da aposentadoria vitalícia;
- Fim do foro privilegiado. O político que tiver de ser julgado deve ser julgado como um cidadão comum, sem regalias ou privilégios;
- Cotas de passagens aéreas restritas e com uso justificado somente em caso de serviço público previamente agendado (viagens à residência ou de outra natureza deveriam ser pagos com o próprio salário);
- Uso de avião da FAB somente em caso de serviço público agendado previamente e exclusivo para os chefes dos poderes e ministros.

2) À respeito das suplências para a Câmara e Senado: pela extinção das suplências ou, simplesmente, pela eleição direta dos suplentes. Os mandatários devem ser representantes do povo, não há porque exercerem um mandato sem ter sido eleito diretamente.

3) Fim de cargos comissionados e cargos de confiança, que apenas beneficiam pessoas próximas aos políticos e magistrados. Deveriam ser priorizadas carreiras públicas com concurso, ao invés de meras indicações.

4) Fim do voto secreto em todas as circunstâncias, pois os cidadãos precisam saber como votam os seus representantes.

5) Fim da reeleição (no executivo e no legislativo) e mandatos de 5 anos. No Senado não seria diferente: apenas um mandato de 5 anos, sem reeleição.

6) Limite de mandato por político. Os políticos (seja no poder executivo, seja no legislativo) poderiam ser eleitos somente para até dois mandatos durante toda a vida, favorecendo a renovação constante dos políticos e evitando hegemonias, caciques ou oligarquias.

7) Financiamento público de campanhas, sem doações de qualquer espécie.

8) Tempo de publicidade na televisão padrão a todos, sem proporcionalidade por partidos ou coligações.

9) Fidelidade partidária, o político eleito por um partido não deveria mudar de sigla durante o mandato.

10) Critérios objetivos para a escolha de um novo ministro do STJ. Também no judiciário, os ministros deveriam advir de um plano de carreiras bem definido e não ser fruto de escolha política.


Reforma orçamentária:

1) Garantir ao menos 10% do orçamento para o saúde e outros 10% para a educação.

2) Enxugar ministérios, cortando gastos com pastas pouco relevantes.

3) Abolir terceirizados e garantir concursos públicos para todos os serviços públicos que exerçam atividade-fim, como saúde e educação.

4) Garantir amplo espaço de participação popular nas definições do orçamento anual (nas esferas municipal, estadual e federal).


Não se trata de uma lista exaustiva, mas já representa um bom começo.
Mas... e você? Concorda com essas pautas?
Quais você mudaria? Quais você acrescentaria?
Comente e dê a sua opinião!
Manifeste-se!




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5.7.13

Torta de Limão

Não resta dúvida que comer é um dos melhores prazeres da vida! Mesmo sem alimentar a gula, é possível viver bem este prazer. Contudo, não há melhor prazer do que aquele fruto do Amor concreto de alguém. É exatamente por isso que cozinhar é uma arte... sobretudo, quando feito por Amor. Não faria sentido cozinhar somente para si. Não é à toa que a alegria do cozinheiro é saber que sua arte é apreciada, como todo bom artista.

Compartilho uma das receitas que mais gosto de preparar: a Torta de Limão, que é uma das tortas mais apreciadas no Brasil. A depender de quem a prepara, apresenta algumas características que variam o seu sabor e a sua consistência. Há quem goste de uma torta mais doce e há quem a prefira ligeiramente mais azeda. Há também quem goste de uma massa mas flexível e aqueles que preferem uma massa mais rígida, dentre outras variações, como o merengue. Em meio a certas variáveis, espero explicar passo a passo como é a minha Torta de Limão, mas antes... quero destacar que prefiro pensar em uma culinária com sabor significativo, ou seja, que permite àquele que saboreia uma experiência inesquecível com o que está saboreando, ainda que por um tempo tão breve. É por isso que procuro dar às minhas receitas um destaque especial ao seu sabor principal, de modo a fazer jus a seu nome e ao sabor que promete.

Assim, procurei pensar e preparar uma Torta de Limão com sabor forte, ao mesmo tempo leve e marcante, procurando destacar o sabor do limão. Além disso, pensei numa massa com uma consistência semelhante a de um biscoito, de modo a facilitar o corte e sustentar melhor as camadas de recheio e de cobertura. O segredo está no limão e no teor de açúcar. Resultado: é uma torta tão saborosa que é capaz de nos levar ao céu por alguns instantes. Daí porque também mereça um suspiro especial... e cremoso.

Vamos à receita!

Ingredientes:

Massa

 - 3 xícaras (chá) de farinha de trigo
 - 6 colheres (sopa) de manteiga ou margarina sem sal
 - 200ml (1 caixa) de creme de leite
 - 1 1/2 colher (chá) de fermento em pó

Recheio

 - 2 latas de leite condensado
 - 8 limões galego (pequenos)
 - raspas de limão

Cobertura

 - 3 claras de ovo
 - 3 colheres (sopa) de açúcar

Modo de preparo:

Massa

Numa bacia ou sobre uma pedra, coloque a farinha, a manteiga, o creme de leite e o fermento. Misture-os com as pontas dos dedos, até que a massa solte completamente das mãos. Deixe descansar por cerca de 30 minutos na geladeira. Abra a massa, forre uma fôrma de teflon (22 cm de diâmetro), fure o fundo com um garfo e asse em forno médio-alto (200°C), por cerca de 20 minutos.

Recheio

Misture o leite condensado com o suco de 8 limões galego (não adicione água ao suco, apenas esprema os limões) e bata no liquidificador por alguns minutos. Reserve.

Cobertura

Bata as 3 claras de ovo junto com o açúcar até ficar bem cremoso, formando um merengue saboroso e leve. Acrescente um pouco de raspas de limão e misture.

Montagem e finalização

Pegue a fôrma reservada com a massa e despeje o recheio. Em seguida, coloque o merengue por cima do recheio, espalhando-o bem. Para decorar, brinque de fazer algumas formas no suspiro com as pontas do garfo. Em seguida, leve para assar em forno médio por alguns poucos minutos, até que a cobertura comece a ficar dourada. Após tirar do forno, espalhe o restante das raspas de limão por cima, para decorar. Deixe esfriar e leve para a geladeira por ao menos uma hora antes de servir. Sirva fria.

Serve de 8 a 10 porções.

Bom apetite!





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21.6.13

Algumas preocupações

As manifestações estão crescendo e atingindo proporções inimagináveis. Cresce o número de participantes, o número de cidades com manifestações e também o número de temas ou reivindicações. Mais de um milhão de pessoas foram às ruas em manifestações ocorridas em todo o país e a cada dia novas manifestações são agendadas, o que nos faz ver que a onda de protestos continuará por um bom tempo. Em meio a isso, também é notório o crescimento da violência nas manifestações, que tem ganhado proporções assustadoras e preocupantes.
Onde isso tudo vai parar?

Enquanto as vozes das ruas pedem um novo Brasil e uma nova Política, muitos são os oportunistas que se aproveitam e criticam tudo e todos, minando as instituições já existentes. Está clara a insatisfação dos manifestantes com a política no Brasil, mas é preciso saber construir uma nova Política para não cairmos nos erros do passado. A história já nos mostrou situações análogas e os resultados foram desastrosos.

Queremos (e precisamos de) um grande amadurecimento político por parte dos brasileiros, além de maior participação com a abertura de novos canais. Mas gritar anarquicamente é, no mínimo, preocupante.

Outro ponto que preocupa é o crescente apoio a manifestações sem focos definidos e acompanhadas de violências igualmente crescentes. Dos manifestantes que praticam a violência, seja depredando ou ateando fogo, muitos são aqueles que a fazem sem qualquer propósito político, em atos de vandalismo gratuito que em nada contribuem para a mudança que queremos.

O Brasil precisa mudar e algo novo parece estar a despontar de nossas ruas, mas é preciso organizar esta mudança para não cairmos nos riscos de novos desmandos e novas violências. Se o caos predominar, as manifestações perdem sentido e os rumos da Política seguirão os trilhos da incerteza e da insegurança.

No início da semana, escrevi que senti "cheiro de algo novo no ar". Espero que este cheiro não seja o cheiro do ultra-nacionalismo, do fascismo, da repressão e do ódio anarquizado e generalizado.




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20.6.13

As vozes das ruas

A rua está colorida e repleta de manifestações em todo o Brasil! O povo fala, grita, canta e protesta por um país mais justo e mais acessível, demonstrando uma grande insatisfação com a política vigente. Há quem questione o resultado de tantas manifestações e se isso surtirá alguma mudança no modo tradicional de se fazer política, mas uma coisa é certa: aqueles que, até pouco tempo, ficavam somente em casa a se lamentar dos descasos políticos hoje consegue se expressar e reivindicar alguma coisa. Muitos são os alvos e os motes dos protestos, mas uma só é a insatisfação (ainda que sob várias facetas).

Os partidos políticos e seus respectivos filiados, estando ou não no exercício de algum mandato, devem ouvir as vozes que ecoam nas ruas e repensar suas práticas, de modo a acolher esta demanda que estava reprimida e entalada nas gargantas de muitos cidadãos. Há quem tema a insurgência de um movimento ultra-nacionalista e fascista na medida em que os partidos são duramente reprimidos nas manifestações. Todavia, precisamos alargar o nosso olhar e perceber que grande parte de quem está nestas manifestações não aguenta mais ter de esperar por mudanças prometidas pelos partidos políticos.

O povo que está nas ruas nos dias de hoje faz suas próprias reivindicações. É o povo que diz, em diversos tons, que não dá para continuar como está e que não se contenta apenas em trocar as pessoas (ou os partidos) que estão no poder. As manifestações mostram o grito do povo, que ignora ou releva os ideais de muitos partidos, sejam estes de esquerda ou de direita. Estão para além disso. Seria temerário achar que não existem pessoas com pensamentos fascistas em meio aos movimentos. Eles estão lá e puxam as manifestações para um discurso vazio, contra tudo e contra todos. Todavia, é preciso destacar que, até há poucos dias, a imensa maioria dos jovens que estão indo às ruas nem queria se envolver com qualquer tipo de manifestação política.

Ou seja, o povo ganhou força e está conseguindo se manifestar como há muito tempo não se via no Brasil. Este é o povo que está cansado do que está vendo na nossa política e que não aceita apenas mais mudanças de partidos. O povo que está nas ruas hoje quer mudança na forma de se fazer política, e isso não é propriedade exclusiva de un(s) partido(s), por mais que existam partidos que defendam isso a tempos.

Obviamente, não podemos negar a importância histórica dos partidos políticos, nem tampouco a importância da representatividade política. Contudo, a política brasileira tem girado demasiadamente em torno dos projetos de poder dos partidos e a cada ano criam-se novos partidos para hibridizar o problema. Hoje, a discussão sobre a política deve ir além de interesses partidários e eleições para repensá-la na sua base de ação; junto com quem mais interessa, o cidadão. A verdadeira reforma política deve ir além de partidos, para, em seguida, repensá-los também.

Escutemos as vozes das ruas!
Mas, um alerta: cuidado com os ultra-nacionalistas que se colocam contra toda forma de organização coletiva! É preciso separar o joio do trigo.

No vídeo abaixo, há uma pequena mostra das manifestações que estão acontecendo:







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18.6.13

Cheiro de algo novo no ar

O brasileiro é quem deve fazer Política no Brasil
O Brasil inteiro está gritando e mostrando suas vozes. São várias as problemáticas e vários os protestos. Um dos principais motes dos protestos realizados foi a reivindicação de um transporte público de qualidade, questionando o aumento dos preços, mas não ficou só nisso. Há quem reivindique o passe livre, há quem proteste por mais segurança, há quem questione a reforma agrária, há quem defenda os ruralistas, há quem defenda os indígenas, há quem se manifeste contra a ineficiência dos serviços públicos e há também quem lute contra a corrupção. São muitas as vozes, muitos os gritos e muitas as questões. Todas elas exalam um cheiro novo no ar. Há algo novo se revelando no Brasil a partir de uma insatisfação generalizada e polifônica que tomou conta do país nos últimos dias.

Será o gigante se acordando ou apenas uma onda passageira? Como caracterizar um movimento tão plural? Na rua, a insatisfação toma conta, mas ainda estão dispersas, com uma interessante variação de discursos, protestos e métodos. Há quem defenda os protestos com a ocupação e a depredação dos espaços públicos e há quem prefira protestar com palavras de ordem e negociações. Seja como for, esta onda de protestos é um sintoma social que reforça a percepção de que há problemas históricos ainda a serem solucionados. O fato é que a política tradicional não pode continuar como está. A política tradicional, aqui entendida minimamente como a política marcadamente partidarista e selada por interesses e participação restritos, precisa se abrir para uma nova configuração. Qual é a política que queremos? O que é necessário mudar? Como não cair nos mesmos erros?

Que as manifestações não sejam apenas onda passageira
É possível perceber que as manifestações são parte de uma maturação lenta do cidadão brasileiro, que aos poucos se acorda, mas que ainda precisa assegurar que os líderes dos diversos movimentos criados não caiam no sistema já instalado, que saibam resistir às cooptações e que não deixem o desejo do poder subir à cabeça a ponto de minar qualquer mudança significativa. É um momento novo, delicado e que precisa ser bem aproveitado para que possamos vislumbrar um novo horizonte para o nosso país.

Há cheiro de algo novo no ar... 
                                              ...que este cheiro não se dissipe.





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