Textos e reflexões de Rodrigo Meireles

13.4.12

Você vai tomar consciência ou mais um drink?

Até quando vamos tolerar a impunidade no trânsito? Freqüentemente, os vários meios de comunicação divulgam estatísticas acerca dos acidentes de trânsito e não é difícil perceber que a maioria desses acidentes estão associados ao consumo de bebidas alcoólicas. Não é por falta de conhecimento que esses acidentes acontecem. Todavia, mesmo com a criação da lei seca e mesmo com todas as campanhas realizadas, muitas pessoas insistem em dirigir com álcool no sangue. Muitos motoristas fazem isso porque sabem que não serão punidos. Se são de famílias abastadas, "estranhamente" livram-se da burocracia policial e criminal. São muitas as denúncias de motoristas com pontos além do limite na carteira de habilitação que continuam impunes, continuando a dirigir e a cometer os seus atos ilícitos. Enfim, sem fiscalização e sem punição, tudo continua na mesma, ainda que sejam investidos rios de dinheiro em campanhas.

É preciso deixar claro que a responsabilidade pela direção de um veículo é do motorista, que deve saber dos riscos de dirigir alcoolizado. Ainda que este se considere um "Ás" no volante, o risco continua e a probabilidade de um acidente aumenta exponencialmente de acordo com a quantidade de álcool no sangue. Portanto, não dá para dizer que um acidente causado por um motorista alcoolizado foi ocasional. O motorista poderia ter evitado, portanto, deve ser responsabilizado pela sua livre escolha em dirigir enquanto estava alcoolizado.

É por esse motivo que apoio e reforço a campanha "Não Foi Acidente!" divulgando o abaixo-assinado para ser entregue no Congresso Nacional o "Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre Crimes de Trânsito que Envolvam a Embriaguez ao Volante". Precisamos de 1.300.000 assinaturas para que este projeto tenha força no Parlamento e revolucione a forma de lidar com este problema. Para conhecer mais sobre a campanha e assinar a petição, clique no link abaixo.



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7.4.12

O Lorax e a consciência humana

Recentemente, estreou no cinema a animação "O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida", produção infantil que destaca o cuidado com o meio ambiente e os perigos da ganância humana. É um excelente filme para assistir com os pequenos, dialogar com eles sobre estes cuidados e reforçar a consciência por um mundo melhor, a começar por cada um.

O filme conta a estória de Ted, um garoto que, ao tentar realizar o desejo de Audrey, a garota por quem se apaixona, descobre o mundo devastado e dominado no qual vive. Ele mora numa cidade de plástico, onde tudo é aparentemente perfeito. Os moradores da cidade não imaginam que vivem uma vida de fachada, cuja alegria se resume a plásticos coloridos e tecnológicos. Quando Ted descobre que o desejo da garota de seus sonhos é uma árvore de verdade, ele inicia a procura e descobre que fora da cidade de plástico não há mais nada além de um mundo devastado e cinzento. É assim que ele conhece a história de seu planeta e se dá conta de como este chegou àquele estado. Lorax é uma criatura rabugenta que tenta proteger o mundo e a vida. Ele tenta conscientizar os homens da importância de preservar a natureza, mas a ação do homem, na sua liberdade, é sempre decisiva para o desenvolvimento do planeta e de tudo o que a vida nos deu.

É importante destacar que o filme retrata de maneira direta alguns problemas comuns ao homem de hoje, como a busca pelo sucesso financeiro em detrimento do meio ambiente, os perigos dos monopólios, o poder e o controle sobre as pessoas. A cidade de plástico onde mora Ted e sua família é totalmente vigiada por câmeras, que acompanham cada movimento, e é controlada por um magnata, O'Hare, que vende ar puro. Em um ambiente devastado, sem árvores, este magnata se aproveita da situação e das pessoas para possuir e manter o poder. É muito clara também a história da devastação, fruto da ambição de um outro homem, que queria ser rico e orgulhar a sua família. Lorax tentou contê-lo, mas o homem escolheu devastar. Quando matou a última árvore entrou numa profunda depressão e não havia mais como ganhar a sua riqueza. O garoto Ted, porém, mostra que é possível acreditar em um mundo melhor. Com coragem, ele leva para a cidade de plástico a última semente de árvore que se tem notícia. Para plantá-la, enfrentou o poder do magnata e o conformismo das pessoas, que pareciam tão de plástico quanto a cidade em que moravam.

Vale à pena assistir! Afinal, é diversão garantida para a criançada com direito a boas reflexões acerca da consciência ética humana.




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5.4.12

A Cruz

É manifesta, perceptível e clara,
em tantos impulsos, sinais e evidências,
a dimensão outra da face humana
envolta na sutileza do amor


No caos que a todo instante se declara
um brilho contrasta os focos de violência
De onde mais essa luz emana
senão da Cruz, em plena dor?


Tão cara quanto uma pedra rara
despeja sentido no calor das experiências
expõe seu abraço e não engana
quanto à profundidade do Amor


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31.3.12

A Política e a Morte

Que o Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) está "morto politicamente" poucos duvidam, mas o fato é que a política, tal como está, assiste a morte dos valores primordiais da democracia e da ética humana. Fere-se, a todo instante, a dignidade humana, o respeito à igualdade de direitos, a liberdade, a coerência e a verdade em nome de interesses privados e de uma incessante busca pelo poder. Com isso, a política não se revela como espaço de todos os cidadãos unidos em torno de um bem comum, é apenas um espaço de embates territoriais repleto de "toma lá, dá cá" no qual vence quem se associa ou se articula melhor.

Já não valem discursos pomposos que defenda a ética e o combate à corrupção, que o diga o Senador mencionado. Um homem de palavras tão diretas e cujo discurso se pautava pela afirmação da honestidade e do combate à corrupção agora se defende argumentando que as investigações feitas contra ele foram ilegais. Para além da legalidade ou não, há que se considerar que de um senador da envergadura de Demóstenes, líder da oposição no Senado, não se pode esperar negociações ilícitas de qualquer ordem, pelo bem da democracia e dos cidadãos, que legitimam a sua função. Se é verdade o que as acusações apontam, qualquer investigação é válida e não pode ser diminuída em virtude do cargo que se ocupe, uma vez que envolve favorecimentos a interesses limitados, apoio a práticas ilegais e enormes somas de dinheiro.

Não duvido que outros políticos estejam envolvidos neste escândalo, como não se duvida que muitos políticos estejam enrolados em práticas corruptas. Não é de hoje, dado que este mal nos persegue há séculos nos mais diversos recantos da humanidade. Contudo, é na política (ou através dela) que esta mesma humanidade pode sobreviver enquanto espécie, pois é pensando-se, coletivamente, que se descobre enquanto povos capazes de convivência. Matando a política, matamos os cidadãos, e a humanidade perde seu rumo. Portanto, matando os valores já amadurecidos e desenvolvidos por esta mesma humanidade, lentamente matamos a política e, assim, contribuímos para a morte de todos nós.

Exemplos como o citado acima são constantemente repetidos a cada dia, para além do quem, do onde e do como. São estes "exemplos" que afetam a esperança por mundo melhor de milhares de pessoas que apenas querem viver felizes e em paz. São "exemplos" que não queremos ver repetidos em nossa história, para que esta nos orgulhe e nos permita morrer tranquilamente. É hora de acordar e mudar esta política!


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8.1.12

Per una cultura dell'unità!

L'uomo è in crisi. Senza nord, vive una cultura che lo rinchiude sempre di più nella sua propria esperienza, uccidendo i rapporti e limitando la convivenza sociale. Parafrasando Rollo May, l'uomo deve camminare verso una "conoscenza di sé stesso", però deve riconoscere che una tale conoscenza non può privarlo del contatto con l'altro e con il mondo. La crisi dell'uomo odierno si trova nella cultura predominante, che incita l'etica del solo io, dell'autonomia e del consumo, nella quale l'uomo stesso si distrugge, portando con sé la Creazione. Dunque, si fa necessaria una nuova cultura!

Una cultura capace di comprendere il valore dell'altro, nella quale prevalga il rispetto, l'armonia e l'amore. Una cultura nella quale il differente viene considerato senza essere escluso, dove i deboli e i vulnerabili hanno voce. In una cultura così, la vita è un viaggio, un processo: è storia che si fa in fatti costruttivi, e non destruttivi.

Dobbiamo ricuperare i legami di fiducia con ogni essere che ci passa accanto e credere che soltanto così il mondo e la cultura si possono ricostruire in una rete fraterna dove impera l'Amore. Ma che cosè l'Amore? La parola "Amore" implica il dono di sé, che a sua volta implica l'incontro verso qualcosa o qualcuno fuori dal proprio io, nel riconoscimento di un tu, di un altro. Amare è donare il proprio sguardo, il proprio ascolto e lanciarsi. È, dunque, un atto non sempre facile, che richiede un ampio senso di libertà e una forte coscienza del senso della propria esistenza. Per amare, dobbiamo esseri interi e disposti a incontrare nell'altro una ragione per vivere la vita.

La cultura, con i suoi molteplici contorni, dipende da noi, si realizza in noi ed è segnata dalle nostre azioni. Per cambiarla, dunque, si fa necessario il nostro impegno. Non è sufficiente soltanto criticarla, ma c'è bisogno, innanzitutto, di riconoscere in noi stessi la necessità di cambiare. Criticare i politici o quelli che rubano, ammazzano e distruggono non è abbastanza se non riconosciamo che anche in noi  esiste una certa dose distruttiva quando non rispettiamo l'altro e quando feriamo i nostri rapporti. La legge esiste per aiutare l'uomo in questo intento, ma la morale è dell'uomo e dev'essere vissuta con coscienza a cominciare da ognuno di noi.

È in questo senso che sostengo la necessità di una cultura dell'unità. Non per affermare una egualianza comunista, neanche per lasciare che diritti e necessità umane siano calpestati in favore di interessi limitati. Una cultura dell'unità si fa necessaria perché gli uomini possano ritrovare una convivenza armoniosa tra i propri pari e con la natura. Siamo tutti risultanti della polvere cosmica sparsa da miliardi di anni e figli della stessa Terra, nonostante le tante distinzioni. Per una cultura dell'unità, viviamo l'Amore vero!

Correzione finale: Tommaso Bertolasi



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29.12.11

No exílio da canção (do sabiá)

Minha terra é assim:
cheia de palmeiras
onde canta o sabiá
(ou deveria cantar)

Ora digo isso
quando de longe olho
o que mesmo de perto
é dificil perceber:

Onde se esconde o sabiá?
Em meio às arestas da civilização
pouco se pode enxergar

Para onde foi o sabiá?
Nada sei, até o que sei
não ouço o seu cantar

Onde canta o sabiá
da minha terra
pelo que eu encontro cá?

Na minha terra tem palmeiras
e sei que ali canta o sabiá
mas não sei onde o encontrar

Sabe-se pouco desta terra!
Nem o velho sábio sabe
porque o sabiá não quer cantar
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28.12.11

É tempo de despertar!

O Natal aconteceu, os dias prosseguem e a vida continua, mesmo com seus altos e baixos. Há quem veja nisso uma combinação sem graça, sem sentido, e que nada mais vale a pena além de assumir uma dinâmica diária de quase total inércia. Para estes, a vida segue em seus ciclos, os seres apenas se adaptam às circunstâncias e tudo continua, não importa como e para quê. Todavia, para além do bem e do mal, o homem que assume um sentido para a sua vida é capaz de transformá-la. Quando falta sentido, nada mais lhe resta que viver como um vegetal à espera da morte, alienado de tudo e de todos. Com a sua capacidade de transformar, o homem participa da Criação e da evolução do universo muito mais do que por pura inércia, mas como agente capaz de impulsionar a vida com seus atos. É preciso, portanto, que este homem se descubra e conheça os seus potenciais, tantas vezes abafados pelo niilismo que assola a humanidade.

É tempo de despertar! Afinal, podemos transformar e perceber que a vida é muito mais que simples afazeres cotidianos e rotineiros sem sentido; é muito mais que inércia. O Natal nos permite essa reflexão por nos recordar o nascimento d'Aquele que se fez homem para transformar o mundo e nos fazer acreditar no Amor como fonte de vida e evolução. Afinal, o homem pode transformar porque é capaz de amar, tal qual Deus na Criação. É o Amor que transforma, mas esse Amor, em meio às fugacidades modernas, muitas vezes é calado, temido e, em muitos, permanece adormecido.

Hoje, o que mais desejo é que possamos nos acordar do profundo vazio de sentido que o mundo atravessa e que possamos transformar nossas vidas, tantas vezes carregada de pessimismo e com tons demasiado negativos, em abundantes fontes de Amor. Que o Natal aconteça em nós todos os dias para sentirmos a beleza do Amor de Deus e a beleza de amar!


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3.11.11

Steve Jobs e o SUS

Tomei a liberdade de reproduzir, logo mais abaixo,  um texto que considero de relevante importância para refletirmos a repercussão que teve o caso da doença de Lula na internet. Vale a reflexão, apesar dos discursos em contrário. Afinal, o maniqueísmo que foi iniciado na grande rede desrespeita aqueles que precisam do SUS, até mesmo aquele cidadão que precisa se tratar de problemas ou doenças que têm suas melhores referências em especialistas e hospitais que integram o SUS.

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ALEXANDRE HOHAGEN
Steve Jobs e o SUS



Se Steve Jobs tivesse sido acometido por esclerose múltipla no Brasil, teria considerado o SUS



A essa altura você certamente já sabe quem é Steve Jobs. E que ele morreu no começo de outubro. Também sabe que ele foi um visionário obsessivo. Ele tinha mais de cem camisetas pretas, de gola alta, todas iguaizinhas. E também sabe que ele foi adotado. Nunca quis reencontrar o pai biológico. Deixou um legado de qualidade, design, simplicidade que mudou o conceito de inovação e tecnologia da nossa era.

Da mesma forma, imagino que o câncer encontrado no ex-presidente Lula nesta semana não seja mais novidade. Ele provavelmente foi causado pelo cigarro. 

Ele está sendo tratado pelos melhores médicos do país. O hospital onde começou as sessões de quimioterapia é referência e não faz parte da rede pública. Afortunadamente, o presidente está bem e desejo que ele se recupere rapidamente. Provavelmente os leitores mais conectados também sabem que há uma corrente nas redes sociais desafiando que o nosso ex-presidente seja tratado em uma unidade do SUS (Sistema Único de Saúde).

A corrente se espalhou com velocidade. Os posts em defesa ao atual tratamento e votos de recuperação ao presidente também começam a se multiplicar, em uma espécie de maniqueísmo social.

Os três temas acima foram propagados nos últimos meses pelas redes sociais. Nunca na história do Twitter, por exemplo, um assunto tinha sido tão comentado como a morte de Steve Jobs. Foram 8 milhões de notas postadas e lidas por centenas de milhares de pessoas em 36 horas. Da mesma forma, a história bizarra das pessoas mandando o Lula para o SUS, em uma demonstração de desrespeito com um ser humano doente, está em toda a parte no Facebook.

De acordo ou não, as redes sociais são assim mesmo. Cada dia mais parecidas com o dia a dia. Igualzinho a um papo na mesa de bar. As pessoas iniciam uma conversa. Se ela for de interesse, se amplia. Outros opinam. E o boca a boca escala velozmente. Até minha filha de sete anos reconhece o Steve Jobs em foto pela tradicional e minimalista indumentária. Como pai, executivo, cidadão eu tenho pensado muito em como garantir uma curadoria saudável de todo o conteúdo que aparece na nossa frente todos os dias.

Para ter uma ideia, o sistema de segurança do Facebook processa e revisa 25 bilhões de ações de conteúdo todos os dias. O que interessa ler e compartilhar?

Quando li o post que pedia para que Lula se tratasse no SUS, fiquei confuso. Me recusei a compartilhar. Eu realmente não acredito que um brasileiro deseje o mal a Lula. Ele dedicou a sua vida ao país. Humor sem graça virou moda ultimamente. Mas ainda pior foi o fato de que o SUS virou sinônimo de castigo. Tem um inimigo? Deseje que ele se trate no SUS. Não gosta da sogra, manda para o SUS.

Ontem eu me deparei com um desses posts que vale a pena ler e compartilhar. É o relato da paranaense Nina Crintzs. Com o título "Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto", Crintzs descreve a sua experiência sendo tratada no SUS de uma doença raríssima: esclerose múltipla.

O texto é emocionante e mostra uma perspectiva bastante diferente dos ataques de pessoas que seguramente jamais passaram perto de um posto de saúde.

Segundo Crintzs, "o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente os remédios para o tratamento da esclerose múltipla". Ela complementa: o maior especialista em esclerose múltipla do Brasil atende no Hospital das Clínicas, que é do SUS, em um ambulatório especial para a doença.

Ou seja, caro leitor: se o Steve Jobs, que, como sabemos, era um obsessivo por qualidade, tivesse sido acometido por essa doença no Brasil, provavelmente teria considerado o SUS.

E seguramente essa história teria muito mais relevância do que as brincadeiras sem graça que muitas vezes pipocam por aí. Crintzs tem propriedade para falar e eu para compartilhar: "Fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto". 


ALEXANDRE HOHAGEN, 43, jornalista e publicitário, é responsável pelas operações do Facebook na América Latina. Em 2005, fundou a operação do Google no Brasil e liderou a empresa por quase seis anos. Escreve às quintas-feiras, a cada quatro semanas, nesta coluna. 

www.facebook.com/colunadohohagen


Fonte: Folha de São Paulo


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