Textos e reflexões de Rodrigo Meireles

14.4.12

Xingu: entre índios e brancos

Mergulhe na aventura dos irmãos Villas-Boas e se encante com a beleza de nossas florestas enquanto descobre o triste destino das tribos indígenas que povoam a região. O filme Xingu, dirigido por Cao Hamburguer, retrata a história real dos irmãos Villas-Bôas desde o tempo em que foi convocada a "Marcha para o Oeste". Eles adentraram o Brasil para demarcar território, conhecer a área e verificar quem habitasse a região. Foi assim que encontraram os índios e começaram a se relacionar com eles. Após longas décadas de convívio, passaram a defender os direitos daqueles habitantes, pouco considerados pelo governo. Em meio a muita luta e a muita negociação, foi criado o Parque Indígena do Xingu, que resiste até hoje apesar das muitas ameaças de fazendeiros, ruralistas e madeireiros.

O filme revela uma belíssima fotografia, além de retratar a situação dos índios, desconhecidos do mundo ocidental e desde então cada vez mais dizimados, desrespeitados e ignorados pelo progresso tecnológico e industrial. Apesar da criação do Parque Indígena do Xingu, da FUNAI e de inúmeros benefícios ou leis de proteção ao índio, a verdade é que estas culturas ancestrais que marcam antropologicamente o nosso povo vivem com o descaso (e a ignorância) da opinião pública geral, sobrevivendo com "migalhas legais" e com as próprias forças. A construção da Usina de Belo Monte é só um exemplo desse descaso.

Confira e trailer e curta o filme!



Continue lendo

13.4.12

Você vai tomar consciência ou mais um drink?

Até quando vamos tolerar a impunidade no trânsito? Freqüentemente, os vários meios de comunicação divulgam estatísticas acerca dos acidentes de trânsito e não é difícil perceber que a maioria desses acidentes estão associados ao consumo de bebidas alcoólicas. Não é por falta de conhecimento que esses acidentes acontecem. Todavia, mesmo com a criação da lei seca e mesmo com todas as campanhas realizadas, muitas pessoas insistem em dirigir com álcool no sangue. Muitos motoristas fazem isso porque sabem que não serão punidos. Se são de famílias abastadas, "estranhamente" livram-se da burocracia policial e criminal. São muitas as denúncias de motoristas com pontos além do limite na carteira de habilitação que continuam impunes, continuando a dirigir e a cometer os seus atos ilícitos. Enfim, sem fiscalização e sem punição, tudo continua na mesma, ainda que sejam investidos rios de dinheiro em campanhas.

É preciso deixar claro que a responsabilidade pela direção de um veículo é do motorista, que deve saber dos riscos de dirigir alcoolizado. Ainda que este se considere um "Ás" no volante, o risco continua e a probabilidade de um acidente aumenta exponencialmente de acordo com a quantidade de álcool no sangue. Portanto, não dá para dizer que um acidente causado por um motorista alcoolizado foi ocasional. O motorista poderia ter evitado, portanto, deve ser responsabilizado pela sua livre escolha em dirigir enquanto estava alcoolizado.

É por esse motivo que apoio e reforço a campanha "Não Foi Acidente!" divulgando o abaixo-assinado para ser entregue no Congresso Nacional o "Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre Crimes de Trânsito que Envolvam a Embriaguez ao Volante". Precisamos de 1.300.000 assinaturas para que este projeto tenha força no Parlamento e revolucione a forma de lidar com este problema. Para conhecer mais sobre a campanha e assinar a petição, clique no link abaixo.



Continue lendo

7.4.12

O Lorax e a consciência humana

Recentemente, estreou no cinema a animação "O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida", produção infantil que destaca o cuidado com o meio ambiente e os perigos da ganância humana. É um excelente filme para assistir com os pequenos, dialogar com eles sobre estes cuidados e reforçar a consciência por um mundo melhor, a começar por cada um.

O filme conta a estória de Ted, um garoto que, ao tentar realizar o desejo de Audrey, a garota por quem se apaixona, descobre o mundo devastado e dominado no qual vive. Ele mora numa cidade de plástico, onde tudo é aparentemente perfeito. Os moradores da cidade não imaginam que vivem uma vida de fachada, cuja alegria se resume a plásticos coloridos e tecnológicos. Quando Ted descobre que o desejo da garota de seus sonhos é uma árvore de verdade, ele inicia a procura e descobre que fora da cidade de plástico não há mais nada além de um mundo devastado e cinzento. É assim que ele conhece a história de seu planeta e se dá conta de como este chegou àquele estado. Lorax é uma criatura rabugenta que tenta proteger o mundo e a vida. Ele tenta conscientizar os homens da importância de preservar a natureza, mas a ação do homem, na sua liberdade, é sempre decisiva para o desenvolvimento do planeta e de tudo o que a vida nos deu.

É importante destacar que o filme retrata de maneira direta alguns problemas comuns ao homem de hoje, como a busca pelo sucesso financeiro em detrimento do meio ambiente, os perigos dos monopólios, o poder e o controle sobre as pessoas. A cidade de plástico onde mora Ted e sua família é totalmente vigiada por câmeras, que acompanham cada movimento, e é controlada por um magnata, O'Hare, que vende ar puro. Em um ambiente devastado, sem árvores, este magnata se aproveita da situação e das pessoas para possuir e manter o poder. É muito clara também a história da devastação, fruto da ambição de um outro homem, que queria ser rico e orgulhar a sua família. Lorax tentou contê-lo, mas o homem escolheu devastar. Quando matou a última árvore entrou numa profunda depressão e não havia mais como ganhar a sua riqueza. O garoto Ted, porém, mostra que é possível acreditar em um mundo melhor. Com coragem, ele leva para a cidade de plástico a última semente de árvore que se tem notícia. Para plantá-la, enfrentou o poder do magnata e o conformismo das pessoas, que pareciam tão de plástico quanto a cidade em que moravam.

Vale à pena assistir! Afinal, é diversão garantida para a criançada com direito a boas reflexões acerca da consciência ética humana.




Continue lendo

5.4.12

A Cruz

É manifesta, perceptível e clara,
em tantos impulsos, sinais e evidências,
a dimensão outra da face humana
envolta na sutileza do amor


No caos que a todo instante se declara
um brilho contrasta os focos de violência
De onde mais essa luz emana
senão da Cruz, em plena dor?


Tão cara quanto uma pedra rara
despeja sentido no calor das experiências
expõe seu abraço e não engana
quanto à profundidade do Amor


Continue lendo

31.3.12

A Política e a Morte

Que o Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) está "morto politicamente" poucos duvidam, mas o fato é que a política, tal como está, assiste a morte dos valores primordiais da democracia e da ética humana. Fere-se, a todo instante, a dignidade humana, o respeito à igualdade de direitos, a liberdade, a coerência e a verdade em nome de interesses privados e de uma incessante busca pelo poder. Com isso, a política não se revela como espaço de todos os cidadãos unidos em torno de um bem comum, é apenas um espaço de embates territoriais repleto de "toma lá, dá cá" no qual vence quem se associa ou se articula melhor.

Já não valem discursos pomposos que defenda a ética e o combate à corrupção, que o diga o Senador mencionado. Um homem de palavras tão diretas e cujo discurso se pautava pela afirmação da honestidade e do combate à corrupção agora se defende argumentando que as investigações feitas contra ele foram ilegais. Para além da legalidade ou não, há que se considerar que de um senador da envergadura de Demóstenes, líder da oposição no Senado, não se pode esperar negociações ilícitas de qualquer ordem, pelo bem da democracia e dos cidadãos, que legitimam a sua função. Se é verdade o que as acusações apontam, qualquer investigação é válida e não pode ser diminuída em virtude do cargo que se ocupe, uma vez que envolve favorecimentos a interesses limitados, apoio a práticas ilegais e enormes somas de dinheiro.

Não duvido que outros políticos estejam envolvidos neste escândalo, como não se duvida que muitos políticos estejam enrolados em práticas corruptas. Não é de hoje, dado que este mal nos persegue há séculos nos mais diversos recantos da humanidade. Contudo, é na política (ou através dela) que esta mesma humanidade pode sobreviver enquanto espécie, pois é pensando-se, coletivamente, que se descobre enquanto povos capazes de convivência. Matando a política, matamos os cidadãos, e a humanidade perde seu rumo. Portanto, matando os valores já amadurecidos e desenvolvidos por esta mesma humanidade, lentamente matamos a política e, assim, contribuímos para a morte de todos nós.

Exemplos como o citado acima são constantemente repetidos a cada dia, para além do quem, do onde e do como. São estes "exemplos" que afetam a esperança por mundo melhor de milhares de pessoas que apenas querem viver felizes e em paz. São "exemplos" que não queremos ver repetidos em nossa história, para que esta nos orgulhe e nos permita morrer tranquilamente. É hora de acordar e mudar esta política!


Continue lendo

8.1.12

Per una cultura dell'unità!

L'uomo è in crisi. Senza nord, vive una cultura che lo rinchiude sempre di più nella sua propria esperienza, uccidendo i rapporti e limitando la convivenza sociale. Parafrasando Rollo May, l'uomo deve camminare verso una "conoscenza di sé stesso", però deve riconoscere che una tale conoscenza non può privarlo del contatto con l'altro e con il mondo. La crisi dell'uomo odierno si trova nella cultura predominante, che incita l'etica del solo io, dell'autonomia e del consumo, nella quale l'uomo stesso si distrugge, portando con sé la Creazione. Dunque, si fa necessaria una nuova cultura!

Una cultura capace di comprendere il valore dell'altro, nella quale prevalga il rispetto, l'armonia e l'amore. Una cultura nella quale il differente viene considerato senza essere escluso, dove i deboli e i vulnerabili hanno voce. In una cultura così, la vita è un viaggio, un processo: è storia che si fa in fatti costruttivi, e non destruttivi.

Dobbiamo ricuperare i legami di fiducia con ogni essere che ci passa accanto e credere che soltanto così il mondo e la cultura si possono ricostruire in una rete fraterna dove impera l'Amore. Ma che cosè l'Amore? La parola "Amore" implica il dono di sé, che a sua volta implica l'incontro verso qualcosa o qualcuno fuori dal proprio io, nel riconoscimento di un tu, di un altro. Amare è donare il proprio sguardo, il proprio ascolto e lanciarsi. È, dunque, un atto non sempre facile, che richiede un ampio senso di libertà e una forte coscienza del senso della propria esistenza. Per amare, dobbiamo esseri interi e disposti a incontrare nell'altro una ragione per vivere la vita.

La cultura, con i suoi molteplici contorni, dipende da noi, si realizza in noi ed è segnata dalle nostre azioni. Per cambiarla, dunque, si fa necessario il nostro impegno. Non è sufficiente soltanto criticarla, ma c'è bisogno, innanzitutto, di riconoscere in noi stessi la necessità di cambiare. Criticare i politici o quelli che rubano, ammazzano e distruggono non è abbastanza se non riconosciamo che anche in noi  esiste una certa dose distruttiva quando non rispettiamo l'altro e quando feriamo i nostri rapporti. La legge esiste per aiutare l'uomo in questo intento, ma la morale è dell'uomo e dev'essere vissuta con coscienza a cominciare da ognuno di noi.

È in questo senso che sostengo la necessità di una cultura dell'unità. Non per affermare una egualianza comunista, neanche per lasciare che diritti e necessità umane siano calpestati in favore di interessi limitati. Una cultura dell'unità si fa necessaria perché gli uomini possano ritrovare una convivenza armoniosa tra i propri pari e con la natura. Siamo tutti risultanti della polvere cosmica sparsa da miliardi di anni e figli della stessa Terra, nonostante le tante distinzioni. Per una cultura dell'unità, viviamo l'Amore vero!

Correzione finale: Tommaso Bertolasi



Continue lendo

29.12.11

No exílio da canção (do sabiá)

Minha terra é assim:
cheia de palmeiras
onde canta o sabiá
(ou deveria cantar)

Ora digo isso
quando de longe olho
o que mesmo de perto
é dificil perceber:

Onde se esconde o sabiá?
Em meio às arestas da civilização
pouco se pode enxergar

Para onde foi o sabiá?
Nada sei, até o que sei
não ouço o seu cantar

Onde canta o sabiá
da minha terra
pelo que eu encontro cá?

Na minha terra tem palmeiras
e sei que ali canta o sabiá
mas não sei onde o encontrar

Sabe-se pouco desta terra!
Nem o velho sábio sabe
porque o sabiá não quer cantar
Continue lendo

28.12.11

É tempo de despertar!

O Natal aconteceu, os dias prosseguem e a vida continua, mesmo com seus altos e baixos. Há quem veja nisso uma combinação sem graça, sem sentido, e que nada mais vale a pena além de assumir uma dinâmica diária de quase total inércia. Para estes, a vida segue em seus ciclos, os seres apenas se adaptam às circunstâncias e tudo continua, não importa como e para quê. Todavia, para além do bem e do mal, o homem que assume um sentido para a sua vida é capaz de transformá-la. Quando falta sentido, nada mais lhe resta que viver como um vegetal à espera da morte, alienado de tudo e de todos. Com a sua capacidade de transformar, o homem participa da Criação e da evolução do universo muito mais do que por pura inércia, mas como agente capaz de impulsionar a vida com seus atos. É preciso, portanto, que este homem se descubra e conheça os seus potenciais, tantas vezes abafados pelo niilismo que assola a humanidade.

É tempo de despertar! Afinal, podemos transformar e perceber que a vida é muito mais que simples afazeres cotidianos e rotineiros sem sentido; é muito mais que inércia. O Natal nos permite essa reflexão por nos recordar o nascimento d'Aquele que se fez homem para transformar o mundo e nos fazer acreditar no Amor como fonte de vida e evolução. Afinal, o homem pode transformar porque é capaz de amar, tal qual Deus na Criação. É o Amor que transforma, mas esse Amor, em meio às fugacidades modernas, muitas vezes é calado, temido e, em muitos, permanece adormecido.

Hoje, o que mais desejo é que possamos nos acordar do profundo vazio de sentido que o mundo atravessa e que possamos transformar nossas vidas, tantas vezes carregada de pessimismo e com tons demasiado negativos, em abundantes fontes de Amor. Que o Natal aconteça em nós todos os dias para sentirmos a beleza do Amor de Deus e a beleza de amar!


Continue lendo