Textos e reflexões de Rodrigo Meireles

11.4.11

A Criação geme...

Poluição, desmatamento, caça e pesca predatória, aquecimento climático. Esses são alguns dos problemas vividos pela humanidade hoje. O que estamos fazendo? Qual a nossa ação para a manutenção da vida na terra?

Neste videoclip de Michael Jackson, "Earth Song", são colocadas várias perguntas que cabem e interessam à nossa discussão. A vida na terra depende de nós!




Earth Song



What about sunrise?

What about rain?

What about all the things

That you said we were to gain?
What about killing fields?
Is there a time
What about all the things
That you said was yours and mine?
Did you ever stop to notice
All the blood we've shed before?
Did you ever stop to notice
This crying Earth, its' weeping shore?

What have we've done to the world?
Look what we've done
What about all the peace?
That you pledge your only son?
What about flowering fields?
Is there a time
What about all the dreams
That you said was yours and mine?
Did you ever stop to notice
All the children dead from war?
Did you ever stop to notice
This crying Earth, its' weeping shore?

I used to dream
I used to glance beyond the stars
Now I don't know where we are
Although I know we've drifted far

Hey, what about yesterday?
(What about us?)
What about the seas?
(What about us?)
Heavens are falling down?
(What about us?)
I can't even breathe?
(What about us?)
What about apathy?
(What about us?)
I need you?
(What about us?)
What about nature's worth?

It's our planet's womb?
(What about us?)
What about animals?
(What about it?)
Turn kingdom to dust?
(What about us?)
What about elephants?
(What about us?)
Have we lost their trust?
(What about us?)
What about crying whales?
(What about us?)
Ravaging the seas?
(What about us?)
What about forest trails?

Burnt despite our pleas?
(What about us?)
What about the holy land?
(What about it?)
Torn apart by greed?
(What about us?)
What about the common man?
(What about us?)
Can't we set him free?
(What about us?)
What about children dying?
(What about us?)
Can't you hear them cry?
(What about us?)
Where did we go wrong?

Someone tell me why?
(What about us?)
What about baby boy?
(What about it?)
What about the days?
(What about us?)
What about all their joy?
(What about us?)
What about the man?
(What about us?)
What about the crying man?
(What about us?)
What about Abraham?
(What about us?)
What about death again?

Do we give a damn?

Canção da Terra



O que aconteceu com o nascer do sol?

O que aconteceu com a chuva?

O que aconteceu com todas as coisas,

Que você disse que iríamos ganhar?
O que aconteceu com os campos de extermínio?
Essa é a hora.
O que aconteceu com todas as coisas,
Que você disse que eram nossas?
Você já parou para pensar em
Todo o sangue derramado antes de nós?
Você já parou para pensar que
A Terra e os mares estão chorando?

O que fizemos para o mundo?
Olhe o que fizemos.
O que aconteceu com toda a paz?
Que você prometeu a seu único filho?
O que aconteceu com os campos floridos?
Essa é a hora.
O que aconteceu com todos os sonhos
Que você disse serem nossos?
Você já parou pra pensar,
Sobre todas as crianças mortas pela a guerra?
Você já parou para pensar que
A Terra e os mares estão chorando?

Eu costumava sonhar
Costumava viajar além das estrelas
Agora já não sei onde estamos
Embora saiba que fomos muitos longe

O que aconteceu com o passado?
(O que aconteceu conosco?)
O que aconteceu com os mares?
(O que aconteceu conosco?)
O céu está caindo
(O que aconteceu conosco?)
Não consigo nem respirar
(O que aconteceu conosco?)
E a apatia?
(O que aconteceu conosco?)
Eu preciso de você.
(O que aconteceu conosco?)
E o valor da natureza?

É o ventre do nosso planeta.
(O que aconteceu conosco?)
E os animais?
(O que aconteceu conosco?)
Fizemos de reinados, poeira.
(O que aconteceu conosco?)
E os elefantes?
(O que aconteceu conosco?)
Perdemos a confiança deles?
(O que aconteceu conosco?)
E as baleias chorando?
(O que aconteceu conosco?)
Estamos destruindo os mares
(O que aconteceu conosco?)
E as florestas?

Queimadas, apesar dos apelos
(O que aconteceu conosco?)
E a terra prometida?
(O que aconteceu conosco?)
Dilacerada pela ganância
(O que aconteceu conosco?)
E o homem comum?
(O que aconteceu conosco?)
Não podemos libertá-lo?
(O que aconteceu conosco?)
E as crianças morrendo?
(O que aconteceu conosco?)
Não consegue ouvi-las chorar?
(O que aconteceu conosco?)
O que fizemos de errado?

Alguém me fale o porquê
(O que aconteceu conosco?)
E os bebês?
(O que aconteceu conosco?)
E os dias?
(O que aconteceu conosco?)
E toda a alegria?
(O que aconteceu conosco?)
E o homem?
(O que aconteceu conosco?)
O homem chorando?
(O que aconteceu conosco?)
E Abraão?
(O que aconteceu conosco?)
E a morte de novo?

A gente se importa?


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O homem

"Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã."

Thiago de Mello, em Os Estatutos do Homem, 1964.
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9.4.11

Armas NÃO! Sou contra!

Sou contra qualquer tipo de armas e qualquer instrumento que sirva para alimentar a violência. Só essa frase bastaria para resumir o que penso sobre o assunto. No entanto, acrescentarei outras para reforçar o meu ponto de vista de maneira simples e direta.

Armas foram feitas para o ataque do ser humano sobre outros seres, sejam eles humanos ou não. Se esse ataque é para ferir ou matar, não interessa por princípio, mas as armas, quando usadas, servem como instrumento de intervenção de um ser sobre outro. Pode ser para abater um animal, para uma caça, ferir outras pessoas com o argumento de defesa pessoal ou coletiva e até mesmo matar. Armas não foram feitas para construir a paz, mas para satisfazer a necessidade tipicamente humana de sobrevivência. Há ainda quem diga que servem para diversão e esporte. Todavia, quando se trata da intervenção de um ser sobre outro, um  detalhe importante é que as ditas armas de fogo têm um poder a mais: quem a usa não precisa intervir corporalmente, envolvendo-se numa luta, por exemplo; ela é rápida e muitas vezes prática. As armas de fogo são, portanto, um meio de guerra, mesmo quando usadas sob a alegação de defesa pessoal por um cidadão comum. Armas, sobretudo armas de fogo, são instrumentos totalmente dispensáveis para uma vida digna em sociedade. Representam apenas mais um supérfluo material que a história criou e evoluiu através das guerras entre tribos e nações, hoje tão comuns em nossas cidades.

Em meio à discussão hoje em voga por conta do massacre de Realengo no Rio de Janeiro, no qual morreram 12 crianças indefesas, é preciso refletir sobre o uso de armas de fogo nas mãos de civis. Porém, sugiro que possamos ir mais além: é preciso refletir sobre a necessidade da indústria das armas, sobre o propósito das armas e de sua (f)utilidade.

Sabendo que a lei hoje prevê venda de armas sob critérios rigorosos, entre eles a avaliação psicológica, conclamo aos meus colegas psicólogos que não aceitem participar de avaliações psicológicas para candidatos à aquisição e porte de armas de fogo. Quem faz isso concorda com a existência de armas em nossa sociedade e fomenta a indústria de armamentos, uma das mais rentáveis no mundo hoje.

Ainda que pareça utópico e distante, prefiro acreditar num mundo sem armas, filtrado das indústrias que contaminam a terra com seu poder bélico. Com isso, não distingo entre armas nas mãos de civis ou de militares. Simplesmente sou contra qualquer arma e a favor do fim dessa indústria criminosa.


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8.4.11

Mas a vida, o que é?

A vida pode parecer ameaçada ou até ameaçadora, mas já nos deu motivos para acreditar que podemos perceber nela uma dádiva que vale a pena ser vivida. O que é a vida? A vida é um mistério, a maior maravilha,  um verdadeiro presente, mas tudo depende de como a percebemos e de como a experimentamos. O Brasil, que já cantou com Gonzaguinha a beleza da vida, não pode se esquecer de uma de suas mais belas canções enquanto vai se modernizando. Tampouco pode deixar-se levar pela onda trágica que parece invadir o mundo. Ao contrário, deve erguer-se e estufar o peito de alegria para cantar com o mundo o grande dom da vida.
Então, meus irmãos e irmãs, vamos viver, cantar e não ter vergonha de ser feliz! Somente o Amor pode mudar o mundo e nos fazer perceber o quanto é belo este lugar!

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7.4.11

Eu acredito no Amor!

Tantas vezes caminho pelas ruas de minha cidade e vejo a gente que sofre na severa luta pela sobrevivência. Ora, essa gente sou eu! Sou eu na busca por trabalho, sou eu na necessidade de comida e proteção. Sou eu! Essa gente sofre. Eis onde mora o perigo: o homem é capaz de tudo para a própria subsistência, mesmo que isso implique passar por cima de outros, desconfiar de um amigo, matar crianças inocentes em escolas, construir usinas nucleares com fins econômico-políticos e destruir grandes ideais em detrimento de fugacidades.

Quando na vida nada mais há sentido além da própria necessidade de sobreviver a qualquer custo, tornamo-nos atores da destruição. Nesse contexto, destrói-se a família e nada mais há sentido além do próprio eu. Se, ao invés, descobrimos no outro a razão de nossa vida, o Amor predomina, cria e transforma. Por isso que prefiro acreditar que "apesar de você, amanhã há de ser outro dia". Vivendo o Amor concreto, no dia-a-dia, podemos descobrir a beleza presente em cada momento de nossa vida, não obstante as fragilidades humanas.

Apesar de todas as mazelas do mundo hoje e da coleção de desgraças a que estamos acostumados a ver através dos telejornais, da internet e outros meios, prefiro cantar com o bom e velho Chico, afinal a vida e tudo o que ela comporta depende de nós e de nossa abertura para o mundo e para o outro.

A humanidade já superou inúmeras dificuldades e, mesmo que hoje pareça caminhar para uma auto-destruição, é capaz de se encontrar também nessa e crescer. O caminho, para isso, é o Amor!

"Apesar de você" é um canto às possibilidades de mudança, no qual o homem revela seu movimento e dinamismo na constante luta por um mundo mais sadio e digno de se viver, afinal, apesar das pessoas que ainda se deixam levar pela onda destruidora do mundo, podemos sempre ir contra a corrente. Faça a sua parte e cante a essas pessoas, comigo e com Chico Buarque, por um mundo melhor!

É só dar o play!


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16.3.11

Em que você acredita?

O destino mudou. Corre na internet a notícia de que o horóscopo que praticamente todos conhecem e que muitos consultam para saber de suas próprias variantes pessoais mudou. Isso mesmo, mudou! Um momento, amigo/amiga, reflitamos: ninguém se perguntou à respeito? E os que acreditam, se perguntaram e continuaram acreditando? Os astros não mentem, mesmo que a leitura deles feita seja totalmente equivocada.

Por que encontramos tantas coincidências entre o que diz o horóscopo (seja o velho, seja o novo) e a própria vida? Uma hipótese é que a consciência humana é facilmente sugestionável, sobretudo em virtude da necessidade de autoconhecimento presente no ser humano. Desde sempre, o desejo em conhecer a própria vida e o sentido da própria existência faz parte do ser humano, que tende a buscar as mais variadas respostas para tanto. A história da mitologia e a evolução do saber científico nos mostra isso. No entanto, algumas dessas tentativas de responder ao desejo de autoconhecimento inerente ao ser humano são parciais e nunca foram demonstradas a fundo. É o caso da astrologia, que alimenta a idéia da influência dos astros do universo na determinação dos comportamentos humanos.

Ora, considerando que o universo é um enorme sistema em que cada partícula, por minúscula que seja, está em constante interação com o sistema, é impossível negar que os "astros do céu" não tenham alguma influência sobre nós. O problema é que mesmo um sistema tão complexo, exatamente por ser complexo, não é capaz de evidenciar todas as suas determinações. No entanto, o imaginário humano foi capaz de enxergar no horóscopo e suas constelações tantas particularidades comportamentais que os psicólogos não teriam necessidade de estudar a personalidade para conhecer as variantes do complexo ser humano.

Mas e você, em que acredita?




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22.1.11

Entre o mar e a poesia

É pensando e cantando o amor que Tico da Costa, compositor potiguar que deixou este mundo em 2009, compôs várias canções e transmitiu alegria onde tocava e passava. Em cada coisa simples da vida, Tico encontrava motivos para cantar as belezas do que colhia, sentindo cada composição como borboletas que vinham ao seu encontro. Não é para menos que para Tico a música opera milagres. Para ele, mestre em cantar a vida malgrado o seu vai e vem, é já bastante pensar no amor para tudo melhorar. Pensar no amor é, então, cantar a vida e seguir o balanço que ela suscita.

Vamos sentir juntos esse balanço e ouvir Só pensar no amor e Vou na onda do mar, duas de suas belas composições. É só dar o "play" e curtir!


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14.1.11

O fenômeno Wikileaks e a transparência política

Nos últimos meses, têm causado furor as divulgações da organização Wikileaks, revelando informações diplomáticas sigilosas de vários países. Tamanhas revelações geraram revolta nos governos mais atingidos, sobretudo os Estados Unidos, que exigem o fechamento do site e a devolução dos documentos vazados. Novamente entrou em cena a discussão sobre a liberdade de expressão, com o risco de uma onda protecionista na internet.

Com esse fato, é importante que nos coloquemos diante de questões sobre a vida pública e a transparência que essa exige, bem como os limites éticos em relação à vida privada. Sobre a vida privada, como já denunciava Michel Foucault e o seu panoptismo, nota-se que seus limites foram bastante diminuídos nas últimas décadas e as pessoas são cada vez mais observadas. Contudo, não entrarei nessa questão. Sobre a vida pública, sobretudo em regimes democráticos, é preciso destacar que essa exige transparência.

O Wikileaks abriu a caixa preta de muitas operações - diplomáticas e militares - realizadas nos últimos anos e a reação gerada foi de constrangimento e de necessidade de proteção. O rei está nu. É do conhecimento geral que nos bastidores da política são emitidas declarações e decisões que ferem a ética e não respeitam o ser humano; em paralelo, é do conhecimento histórico que a humanidade evoluiu na constituição de seus direitos e na proteção de sua espécie. São dois conhecimentos que se justapõem, mas que são vividos na mais falsa harmonia. O "Top Secret" ou decisões que influem diretamente na vida (e na morte) de muitos cidadãos comuns, que nada ou pouco têm a ver com quem toma tais decisões, continua a permear o mundo diplomático e as supostas democracias modernas.

Recentemente foi lançado um documentário ("Wikirebels") que explica bem como nasceu e se desenvolveu a organização Wikileaks, esclarecendo os passos tomados pela organização nos últimos anos. Algumas informações são no mínimo curiosas, como o interesse inicial de governos numa ferramenta como essa. Não é preciso dizer que tal interesse durou até o momento em que os mesmos governos foram importunados com revelações estarrecedoras sobre suas próprias ações, como os crimes de guerra cometidos pelas Forças Armadas dos Estados Unidos no Iraque.

A vida pública exige transparência, sobretudo no que tange à vida de seres humanos e à preservação de seus direitos. Com isso, pessoas públicas, órgãos e governos não podem fazer o que bem entendem, a favor unicamente de seus interesses nacionais ou corporativos.

O debate está aberto e aceso em diversos canais da internet. Dê a sua contribuição e manifeste-se você também. Uma boa dica é assistir ao documentário mencionado, que disponibilizo logo abaixo. Dura cerca de uma hora e está dividido em quatro partes, que podem ser vistas clicando nas setas laterais ou esperando que se abram automaticamente após o término de uma parte anterior. Bom filme e boas reflexões!

 




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